Defesa diz que Lorde não deve responder por mortes em ônibus

A defesa do traficante Anderson Gonçalves dos Santos, o Lorde, quer que o bandido que confessou ter ordenado o ataque ao ônibus 350 não responda na Justiça pela morte de cinco pessoas carbonizadas no veículo queimado. Nem mesmo as lesões dos 14 feridos devem ser atribuídas a Lorde. É o que pensa a advogada do traficante, Glaudinéia Soares, que sustenta que Lorde confessou apenas ter dado autorização para que moradores do Morro da Fé fizessem um protesto pela morte de um traficante local, mas não ter ordenado que pessoas fossem impedidas de sair de um ônibus em chamas, como aconteceu, em novembro. No entanto, o delegado Luiz Alberto Andrade, titular da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), descartou a possibilidade de o inquérito amenizar a responsabilidade do bandido sobre a barbárie. "Morreram cinco pessoas nesse episódio. Não tenho que amenizar em nada a vida de bandido nenhum. Ele assumiu a ordem, que é o principal, e a conseqüência do que aconteceu é dele também e ele tem que assumir. Vai responder por todas essas mortes", afirmou o delegado. Andrade afirmou que ainda não encerrou o inquérito, apesar de a chefe da investigação, inspetora Marina Magessi já ter terminado seu trabalho. O delegado poderá ouvir ainda algumas vítimas e deverá conversar com o Ministério Público antes de relatar o caso. Para Marina Magessi, é a Justiça quem deve decidir se houve ou não a intenção deliberada de matar, mas ela não tem dúvidas de que Lorde deve ser responsabilizado pelas mortes. Para ela, o fato de uma reviravolta na investigação ter invalidado o depoimento de uma adolescente que apontava Lorde como o homem que ordenou que os passageiros não tivessem chance de fuga não o exime da culpa. "Todo mundo diz que não houve ordem para matar ninguém, mas cinco pessoas morreram." Segundo Glaudinéia Soares, a responsabilidade pelas vítimas deveria recair somente sobre o presidente da Associação de Moradores da Vila Piquiri, conhecido como Beto, e outras três pessoas presas acusadas de terem participado do ataque. Um outro acusado ainda está foragido. José Messias Euzébio, que ainda acompanha o tratamento da filha, a universitária Viviane Euzébio, teme que Lorde saia absolvido. "Está mais do que provado que esse Lorde é o responsável. Não acredito que a namorada dele (Brenda, que foi inocentada pela polícia) também não tenha nada a ver com isso. O que fico indignado é como tem gente, advogados, para defender um cidadão desses. Sei que todo mundo deve ter esse direito, mas olhando o que minha filha está passando não consigo entender", desabafou, ao sair de mais uma visita a Viviane.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.