Defesa diz que réu do caso Eldorado de Carajás é louco

O soldado da Polícia Militar do Pará, Edson Soares, um dos 150 acusados de matar 19 trabalhadores sem-terra ligados ao MST em Eldorado dos Carajás, em abril de 96, será submetido, nos próximos dias, a exame de sanidade mental no Instituto de Polícia Científica "Renato Chaves", em Belém. A decisão é da juíza encarregada do processo, Eva do Amaral Coelho. Soares foi designado, em agosto de 2000, a sentar no banco dos réus pelo juiz Otávio Maciel, mas agora seu advogado, Abdoral Lopes, alega que ele é portador de doença mental e deve ser excluído do julgamento. O TJ do Pará está sofrendo forte pressão nacional e internacional para julgar o caso, que em abril completará seis anos de impunidade. Durante a operação militar que resultou na morte dos sem-terra, o soldado era lotado no quartel da PM de Marabá. Embora tenha sua sanidade posta em dúvida pela defesa, Soares continua normalmente integrado aos quadros da PM, inclusive participando de missões policiais. Hoje desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado, o juiz Otávio Maciel acredita que o fato de o soldado ser levado à exame psiquiátrico não irá atrapalhar o julgamento dos outros 149 acusados. "O caso dele pode ser julgado separadamente dos demais ou então ficar para a última sessão do júri, no caso de comprovação de que não é doente mental", diz Maciel.

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