Defesa diz que suspeito de atacar casal no Paraná é debilitado

Para advogado, homem não teria condições de subir ao morro e lutar com as vítimas; jovem o reconheceu

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2009 | 14h32

O advogado que defende o suspeito de ser o autor do homicídio de um estudante de direito e de ter causado ferimentos em sua namorada, no Morro do Boi, em Matinhos, no litoral do Paraná, Nilton Ribeiro, disse nesta sexta-feira, 20, que seu cliente não teria condições físicas para cometer os crimes no dia 31 de janeiro. "Ele tem Aids e hepatite C, não consegue andar 100 metros sem descansar", afirmou. "Por suas características seria impossível subir o morro, lutar com as vítimas, descer e subir novamente." Além disso, ele estaria morando a cerca de 22 quilômetros do local onde ocorreu a morte.   Veja também: Acusado de atacar casal em trilha é transferido para Curitiba Jovem pode deixar hospital na semana que vem DNA vai ajudar na busca Homem não disse que era guia turístico      Ribeiro, que assumiu o caso na quarta-feira, acentuou que o suspeito o convenceu sobre sua inocência. "Mas estamos tratando o assunto com muita cautela", ponderou. "Vamos aguardar os exames de DNA em relação ao sangue encontrado na camisa que estava no morro e em relação ao sêmen, já que uma das acusações é de violência sexual." O resultado dos exames não tem data para ser divulgado. Segundo o advogado, a cautela também é exigida em respeito à família do estudante Osíris Del Corso, que morreu, e à jovem que continua internada no Hospital Vita, em Curitiba.   No fim da tarde de quinta-feira, o suspeito foi levado até o hospital. A polícia não dá declarações oficiais, mas, extraoficialmente, a informação é de que, ao vê-lo, através de um vidro, a moça novamente se emocionou e fez o mesmo reconhecimento que já fizera anteriormente por meio de fotos e vídeos. Ela teria repetido que não tem dúvidas de que se trata do mesmo homem que os abordou na trilha. O advogado não acompanhou o suposto reconhecimento e disse ter sabido pela imprensa.   "No estado psicológico em que a menina está, vê uma pessoa algemada nos pés e nas mãos, com um esquema de segurança e a polícia dizendo é esse, ela vai dizer o quê?" questionou. "A semelhança com o retrato falado existe, pois ele é gordinho e careca."   A Justiça decretou a prisão temporária do suspeito por 30 dias. Apesar de entender que não haveria embasamento para essa decisão, visto que o suspeito não estaria atrapalhando o inquérito, Ribeiro voltou a reforçar que aguardará os exames de DNA. "Ele (o suspeito) não estava obrigado a fazer exame de sangue, mas quis que fosse feito, além disso, foi ele quem procurou a delegacia, a conselho de seu irmão que é policial, pois algumas pessoas estavam zombando dele por ser parecido com o retrato falado", ressaltou. Dias depois de ter prestado depoimento ele foi preso, sob alegação de que a jovem o teria reconhecido por meio de fotos.

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