Defesa dos Nardonis quer novo DNA

Alegação de Roberto Podval é de que o sangue examinado pelos peritos não era de Alexandre e Anna Carolina

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

O criminalista Roberto Podval, que defende o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, quer que a Justiça determine que os laudos de DNA sobre a presença de sangue do casal em objetos e no apartamento do casal sejam refeitos. A alegação de Podval é de que o sangue examinado pelos peritos não era de seus clientes. "Eles não forneceram o material sanguíneo utilizado como parâmetro de confronto (exame de DNA) com as amostras coligidas no apartamento e nas roupas ali encontradas", afirmou o criminalista.O promotor de Justiça Francisco José Cembranelli, responsável pela acusação, disse ontem que ainda não havia tomado conhecimento do pedido de concessão da medida cautelar feito pela defesa. Disse que a matéria "é antiga e já havia sido suscitada pela defesa em novembro". "A ideia da defesa é criar uma dúvida sobre os laudos periciais. Eu não esperava que eles ficassem de braços cruzados, vendo a acusação trabalhar", afirmou. O Estado procurou o Instituto de Criminalística (IC), mas não localizou a direção.A defesa dos Nardonis, acusados de atirar pela janela do prédio a menina Isabella, de 5 anos, tem por base a alegação da falta do termo de coleta de sangue no processo contra o casal. Também se apresentou cópia de declarações dos réus, afirmando que em nenhum momento os peritos retiraram sangue para fazer o confronto. Segundo Podval, apesar disso, o laudo constatou a coincidência do perfil genético dos materiais biológicos examinados, determinando que eles pertenciam à madrasta e ao pai de Isabella.As supostas amostras de sangue de Anna Carolina coincidiram com o sangue achado na calça que ela vestia e na cadeira de transporte de criança no carro do casal. Já o suposto sangue de Alexandre "apresentou característica de uma mistura compatível com material biológico proveniente de dois ou mais contribuintes, sendo um deles, necessariamente um homem". Podval juntou os laudos e declarações de peritos criminais que teriam admitido não ter achado as guias de recolhimento do sangue de seus clientes.O criminalista pediu então ao 2º Tribunal do Júri que seja feita a coleta de material biológico diverso de sangue (cabelo, raspagem da bochecha etc.) dos acusados. Ele também solicitou que seja designada uma assistente técnica da defesa para que ela tenha acesso a todo o material biológico dos acusados "assim como a todas as amostras de sangue atribuídas a eles, para que procedam às análises, com o fim de identificar os respectivos contribuintes". Podval pediu ainda que todas as novas análises sejam feitas por perito diferente do que fez os laudos contestados.

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