Defesa negocia aquisição de sistema de lançadores de mísseis

Astros 2020 incorpora o AV-TM, arma de cruzeiro com alta precisão, alcance de 300 quilômetros e maior poder de fogo

Tânia Monteiro e Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2011 | 00h00

Após assistir a uma demonstração de lançamento do 6.º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes, utilizando o sistema Astros II, da Avibrás Aeroespacial, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou que está negociando com o Ministério da Fazenda a aquisição da próxima geração do equipamento, o Astros 2020, ainda em desenvolvimento, que considera de "importância estratégica" para o País. O conjunto atual custa R$ 960 milhões, segundo informou o general Aderico Mattioli, diretor de Produtos, do Ministério da Defesa.

No novo conceito, a arma passa a incorporar um míssil de cruzeiro com alta precisão e alcance de 300 quilômetros, o AV-TM ,e munições com maior poder de fogo. O principal avanço todavia é na área eletrônica, toda digital. No ensaio de ontem, no Campo de Instrução de Formosa (GO) a 80 quilômetros de Brasília, foram empregados os blindados de comando e controle que serão parte da versão avançada.

Recursos. O investimento no projeto está estimado em R$ 1,2 bilhão - valor distribuído ao longo de seis anos. A expectativa da Força é que a liberação dos recursos seja definida até o fim do ano.

O ministro da Defesa explicou que, primeiro, é preciso resolver a situação financeira da Avibrás. A empresa, de São José dos Campos, está sob regime de recuperação judicial. Para sair da crise, é preciso que passe por um saneamento econômico e financeiro.

Isso poderá ser feito com a garantia da aquisição do sistema Astros 2020, pelo Exército, além de por meio da capitalização da Avibrás com o refinanciamento de seus débitos, pelo governo, nos termos do Refis.

"Serei advogado dessa causa no governo", anunciou o vice-presidente Michel Temer, que acompanhou a demonstração no Campo de Formosa, ao lado de Jobim. "Saímos fora do gabinete para verificar as necessidades verdadeiras do País." Temer acrescentou que não há como avançar no desenvolvimento de tecnologia nacional se não houver recursos de investimento.

O sistema que o Exército quer comprar é composto por 49 viaturas. São 18 veículos lançadores, 18 remuniciadores, 3 unidades de monitoramento de tiro, 3 estações meteorológicas, 3 de veículos oficina, 3 blindados de comando e controle para cada bateria e um, integrado, de comando e controle de grupo. A eletrônica embarcada do Astros 2020 permite o lançamento de mísseis. Além do AV-TM com até 300 quilômetros, há também o FOG, antiblindagem.

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