Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

Delator cita novo repasse de dinheiro a Jaqueline

Além dos R$ 50 mil mostrados em vídeo, ela teria recebido ao menos mais R$ 30 mil, diz Barbosa

Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2011 | 00h00

O delator do esquema de corrupção no Distrito Federal, Durval Barbosa, disse ao Ministério Público que fez outro repasse entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, "a título de propina", para a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), além dos R$ 50 mil entregues no vídeo revelado pelo portal estadão.com.br no dia 4 de março. O esquema de corrupção no DF foi revelado a partir da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, deflagrada em novembro de 2009.

Segundo Barbosa - que foi secretário nos governos de Joaquim Roriz e de José Roberto Arruda -, esse novo repasse foi feito ao marido de Jaqueline, Manoel Neto, a pedido da própria deputada.

Os valores foram entregues dias depois da gravação do vídeo, relata o depoimento: "Em outra oportunidade, em data que não se recorda, Manoel Neto, representando Jaqueline Roriz, compareceu ao gabinete do depoente, oportunidade em que recebeu entre R$ 30.000,00 e R$ 50.000,00 das mãos do depoente", descreve o documento. "Valores que também haviam sido recolhidos junto aos prestadores de serviço de informática do governo."

Inquérito. As declarações foram dadas no dia 13 de janeiro ao Ministério Público do DF e integram o inquérito da Polícia Federal, a cujo teor o Estado teve acesso. Por enquanto, esse é o único depoimento de Durval Barbosa na investigação. O inquérito da PF é sucinto - tem 15 páginas, incluindo o que o delator falou a promotores de Brasília, o despacho da Procuradoria-Geral da República pedindo abertura de inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF) e uma solicitação de perícia - ainda não concluída - no vídeo da propina.

A gravação do vídeo e o outro repasse, segundo Barbosa, ocorreram em setembro de 2006, durante a campanha eleitoral daquele ano. Jaqueline Roriz disputava a eleição para deputada distrital na ocasião.

No depoimento, o delator disse que o dinheiro entregue a Jaqueline são "valores recolhidos a título de propina". Em recente entrevista ao Estado, o delator do esquema do DF repetiu essa afirmação e disse que os recursos eram "sujos".

O vídeo, diz Barbosa, foi encontrado por um antigo assessor - que o ajudou na época na gravação das imagens - entre 30 e 31 de dezembro de 2010 e entregue no dia 2 de janeiro deste ano ao Ministério Público.

A câmera usada por ele estava escondida na caixa de som do computador. O delator afirmou que o vídeo de Jaqueline Roriz estava até então "desconhecido" - Barbosa é o autor de outras gravações envolvendo mais políticos ligados ao escândalo conhecido como "mensalão do DEM".

O inquérito da Polícia Federal deve ser enviado nos próximos dias ao Conselho de Ética da Câmara, onde Jaqueline sofre um processo de cassação.

Durval Barbosa contou que, além do dinheiro vivo, entregou aparelhos de rádio pertencentes ao governo do Distrito Federal para Jaqueline usar na campanha de 2006. "Esses valores e os equipamentos repassados a Jaqueline Roriz foram retribuição determinada pelo então candidato José Roberto Arruda", disse.

Em troca do dinheiro e dos rádios, Jaqueline se comprometeu, segundo Barbosa, a não pedir votos para a adversária de Arruda naquela campanha, Maria de Lourdes Abadia. Além dos recursos e dos equipamentos, ela também recebeu o direito de indicar um aliado para um cargo no governo Arruda.

O Estado procurou Jaqueline, mas não a encontrou para comentar o teor do depoimento de Durval Barbosa. Em nota divulgada quando o vídeo foi revelado, a deputada alegou que o dinheiro entregue por Barbosa era recurso não contabilizado de campanha. Ela, porém, nunca falou sobre a origem do dinheiro.

PARA LEMBRAR

Gravação foi feita em 2006

O portal do Estado revelou no dia 4 de março um vídeo em que Jaqueline Roriz e seu marido, Manoel Neto, recebem dinheiro vivo do ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa. O vídeo foi gravado em 2006 pelo próprio Barbosa, que delatou o esquema de corrupção do DF, que ficou conhecido como "mensalão do DEM". Ao Estado, Durval Barbosa afirmou que o dinheiro entregue para a deputada Jaqueline Roriz é "sujo" e oriundo de "propina" dos contratos de informática do governo do DF.

Após a revelação do vídeo, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados abriu um processo por quebra de decoro contra Jaqueline. O relator do processo é o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Em sua defesa, ela alega que o dinheiro era caixa 2 da campanha eleitoral de 2006. O Ministério Público do Distrito Federal já entrou com uma ação na Justiça por improbidade administrativa contra a deputada.

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