Delator diz que vai entregar áudios à PF

Arquivos estariam em material apreendido pela Operação Shaolin, na qual Dias foi preso; ele reafirmou aos federais acusações contra ministro

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2011 | 03h07

Em depoimento de mais de cinco horas ontem à Polícia Federal, o policial militar João Dias Ferreira afirmou que o Ministério do Esporte é o epicentro de um esquema de corrupção envolvendo cerca de 20 pessoas, entre dirigentes da pasta, integrantes do PC do B, representantes de empresas e de ONGs de fachada.

Ele também se comprometeu a entregar áudios que, segundo ele, estão relacionados às denúncias. "Vou desarticular este esquema", disse o PM.

Os áudios apontados pelo delator do escândalo não envolveriam diretamente o ministro Orlando Silva, segundo o Estado apurou com fontes da Polícia Federal, mas reforçariam a existência do esquema de desvio de verba especialmente na execução do programa Segundo Tempo.

Esses áudios estariam incluídos no material que foi recolhido pela Operação Shaolin, que investigou no ano passado esquema de convênios entre o ministério e ONGS, muitas delas ligadas ao PC do B, partido de Orlando Silva e ao qual o PM foi filiado.

'Provas cabais'. Dias chegou ontem à PF por volta das 15h30 para prestar o depoimento anteriormente marcado para a terça-feira. Na entrada do prédio, o delator do escândalo no Esporte disse aos jornalistas que reafirmaria as denúncias e apresentaria provas contra Orlando Silva.

Isso porque, segundo o próprio PM, seus advogados conseguiram na terça-feira autorização da Justiça Federal para ter acesso ao material apreendido em sua casa e em seu escritório pela Operação Shaolin, no ano passado. Lá estariam "duas provas cabais" de envolvimento do ministro. O depoimento do PM chegou a ser encerrado e retomado tempos depois pelos policiais federais. Já passava das 23h quando Dias deixou o prédio da PF.

Na operação do ano passado, Dias chegou a ser preso pela polícia. Duas entidades que ele criou no Distrito Federal receberam R$ 4 milhões do Segundo Tempo e estariam envolvidas no esquema de desvios. O Estado mostrou ontem que, seis meses depois de terem sido constatadas "irregularidades graves" na execução do contrato de R$ 2 milhões com a Federação Brasiliense de Kung Fu, o ministério fechou um segundo contrato com outra entidade em nome do PM.

Os delegados que conduzem a investigação são da Delegacia de Combate a Crimes Fazendários. Jackson Rosalis e Fernando Sousa Oliveira comandam o inquérito que investiga fraudes na pasta derivado da Operação Shaolin, realizada pela Polícia Civil do DF em 2010 e depois transferida para a Justiça Federal e Polícia Federal quando as denúncias alcançaram autoridades com foro especial, como é o caso de Orlando Silva e do atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que foi ministro na época dos primeiros fatos denunciados e era filiado ao PC do B.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.