Delegacia de Crimes Raciais apura morte na Parada Gay

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) passou a investigar ontem a morte do chef de cozinha Marcelo Barros, de 35 anos. A vítima foi espancada logo após a Parada Gay e morreu na Santa Casa de São Paulo três dias depois. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o inquérito instaurado na 1ª Delegacia Seccional Centro como lesão corporal seguida de morte passou para as mãos de Margarete Barreto, titular da Decradi.A principal linha de investigação é que grupos neonazistas de white powers estejam envolvidos, intolerantes a gays, negros, nordestinos e judeus. Foi justamente um grupo com essas semelhanças que foi visto por testemunhas perto de uma estação do metrô após o crime. A polícia vai levantar as ligações feitas do celular roubado de Barros. Até ontem à noite a Justiça não havia concedido a quebra do sigilo. Por meio dessas ligações, a polícia pretende chegar aos criminosos.PROTESTOSPor volta das 18 horas de ontem, cerca de 70 pessoas participaram de um ato na Vila Madalena, zona oeste, em nome de Barros. Amigos e parentes leram um manifesto e fizeram uma caminhada entre as Ruas Aspicuelta e Fradique Coutinho. "Nos unimos pelo carinho que tínhamos por ele. Pedimos por justiça", disse o amigo Giuliano Lopes, de 37 anos. Para as 19 horas de hoje, a Associação da Parada do Orgulho LGBT marcou manifestação na Avenida Doutor Vieira de Carvalho. Membros da comunidade Homofobia Já Era, do Orkut, receberam ameaças de perfis neonazistas. Mensagens alertam "para a galerinha da comunidade que quem for à manifestação contra v... agredido vai ter uma p... surpresa". Ontem, o governador José Serra (PSDB) informou em sua página no Twitter que solicitou ao secretário de Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey, reforço na segurança do ato contra os ataques homofóbicos. "Repudio com veemência essa brutalidade. Todo nosso empenho é para que esses atos não fiquem impunes", escreveu Serra.

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