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Delegacia do Rio abre investigação sobre ofensas racistas a Maju

'Preconceituosos ladram, mas a caravana passa', disse a jornalista durante o Jornal Nacional desta sexta-feira

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2015 | 22h14

RIO - A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil do Rio iniciou nesta sexta-feira, 3, uma investigação para identificar os autores das ofensas racistas publicadas contra a jornalista Maria Júlia Coutinho no perfil mantido pelo “Jornal Nacional” na rede social Facebook. 

Maria Júlia é a primeira negra a apresentar a meteorologia no telejornal. Na noite de quinta, a produção do “JN” publicou no Facebook uma foto da apresentadora diante do painel meteorológico, com um link sobre a previsão do tempo para esta sexta. 

“Só conseguiu emprego no ‘Jornal Nacional’ por causa das cotas. Preta imunda”, escreveu um internauta. “Não tenho TV colorida para ficar olhando essa preta não”, publicou outro. “Alguém poderia jogar um biscoito pra ela logo”, escreveu mais um.

Muitos internautas reagiram defendendo a jornalista. “País mais miscigenado do mundo e ainda temos que ficar lendo esses comentários racistas. Lamentável”, escreveu Claydson Vieira. “A moça é linda, inteligente e ganha bem mais do que vocês”, completou.

Outros jornalistas, artistas e personalidades também manifestaram apoio a Maju. “É sério que ainda tem gente racista nesse mundo? Preconceito é uma coisa muito feia. (...) Tô chocada com esse tipo de atitude... Como falta respeito nesse país e nesse mundo. Continue forte e firme no que acredita e sem agredir ninguém”, publicou a atriz Carol Castro no Instagram. “Qualquer ataque de ódio contra cor da pele tem que ser repudiado. É um horror ver que ainda falta muito”, escreveu no Twitter Serginho Groisman, apresentador do “Altas Horas”. 

Os apresentadores do “JN”, William Bonner e Renata Vasconcellos gravaram um vídeo condenando os ataques. No Twitter, a hashtag “#somostodosmaju” liderou a lista de tópicos mais comentados.

Em nota, a TV Globo afirmou que “as mensagens racistas contra a jornalista Maria Julia Coutinho foram retiradas da página do Facebook do Jornal Nacional” e que “estuda ainda as medidas judiciais cabíveis para o caso”.

#SomosTodosMajuCoutinho #SomosTodosMajuPosted by Jornal Nacional on Sexta, 3 de julho de 2015

No “Jornal Nacional” desta sexta, Maju comentou o caso, afirmou não ter se abalado e agradeceu o apoio recebido."Preconceituosos ladram, mas a caravana passa", disse. 

Investigação. A Coordenadoria de Direitos Humanos do Ministério Público do Rio pediu nesta sexta rigor na investigação da Polícia Civil sobre o caso e solicitou à Promotoria de Investigação Penal que acompanhe o caso.

Outra investigação sobre o caso será feita pelo Ministério Público de São Paulo. O promotor Christiano Jorge dos Santos iniciou um procedimento investigativo para apurar a ocorrência de injúria ou racismo. 

O crime de injúria é previsto no artigo 140 do Código Penal e consiste em ofender a dignidade ou o decoro de alguém “na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. A pena pode chegar a três anos de prisão.

O crime de racismo é previsto na lei 7.716/89 e pode ser punido com prisão. Ele não prescreve nem permite liberdade mediante o pagamento de fiança.

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