Delegacia investiga 13 mortes cometidas por adolescente no ES

Menor confessou mortes após ser preso por tráfico de drogas numa operação de combate ao crime em Serra

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2008 | 21h05

A Delegacia de Homicídios do Espírito Santo assumiu as investigações a respeito de 13 assassinatos cometidos em cinco meses por um adolescente de 14 anos. O garoto foi preso na terça-feira, em Jacaraípe, no município de Serra, na Grande Vitória, e, segundo a polícia, confessou os crimes. Ele disse ter agido a mando do traficante Valdete de Jesus, o Betinho, que, segundo a polícia, está fora do País.   O adolescente foi preso numa operação da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Patrimônio (DRCP), que investigava assaltos na região. O adolescente contou ter sido o sexto de sete filhos. Foi criado pela avó. Aos 10 anos teria sido aliciado pelo tráfico. Cometeu o primeiro assassinato aos 12.   "Parece que ele era conhecido pela coragem. Por isso, o traficante teria começado a ordenar que fizesse acertos de conta em seu nome. Ele matava sozinho, de dia ou à noite, em qualquer lugar: no meio da rua, na feira, num bar", disse o delegado Danilo Bahiense, que tomou o depoimento do adolescente. "Ele disse que cometeu o primeiro assassinato aos 12 anos e relatou os últimos crimes. Mas que não se lembra das mortes cometidas ao longo desses dois anos".   De acordo com o delegado, o jovem disse que também matou sem ordem de Betinho. "Parece que um homem assediou a avó dele e foi executado. Ele contou ainda que certa vez o padrasto mandou que o menino fosse cobrar uma dívida, da venda de uma carroça. O homem respondeu de forma ríspida: 'sai daqui, moleque'. Ele voltou em casa, pegou a arma e o matou", contou Bahiense.   O adolescente costumava usar um revólver calibre 38, e duas pistolas, de calibres 9 e 45 milímetros. "O Betinho determinava até mesmo com qual calibre a vítima seria morta, como demonstração de força", disse o delegado. O menor está na Unidade de Internação Provisória (Unip). Ele disse ao delegado que está arrependido e gostaria de "sair do crime".

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