Delegada descarta intenção de matar na conduta de PMs no PR

Durante perseguição, dois policiais confundiram um veículo e acabaram matando jovem de 20 anos em Palmeira

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2008 | 17h46

A delegada de Palmeira, Valéria Padovani, que investiga a morte da estudante Rafaeli Ramos Lima, de 20 anos, vítima de tiro disparado por dois policiais militares que faziam uma perseguição, disse nesta terça-feira, 15, que "está afastada a incidência de culpa dolosa (intencional)". "Vamos apurar se faltaram com o dever de cuidado necessário para seguro desempenho da atividade policial", afirmou. "Se for comprovada a falta de cautela, respondem por homicídio culposo na modalidade de imprudência."   Veja também: Pai de jovem ferido durante perseguição fala em 'execução'   Além do inquérito na Polícia Civil, os soldados Dioneti dos Santos Rodrigues e Luis Gustavo Landmann respondem a um Inquérito Policial Militar (IPM). De acordo com o comandante-geral da PM do Paraná, coronel Anselmo José de Oliveira, se o entendimento do oficial que presidirá o inquérito for de que houve crime doloso, o processo segue para a Justiça Comum.   Caso contrário, será apreciado pela Justiça Militar. O Conselho Disciplinar da PM também avaliará se eles permanecessem ou serão expulsos da corporação. Os dois estão cumprindo expediente interno no batalhão de Ponta Grossa.   Rafaeli foi morta na madrugada de domingo quando se dirigia para a casa dos avós em Porto Amazonas, município a cerca de 80 quilômetros de Curitiba, como passageira de um Gol preto, dirigido pelo amigo Diogo Soldi Schuhli, de 21 anos.   Eles tinham saído de um baile de formatura e, quando chegaram ao trevo de entrada da cidade, envolveram-se em um acidente com uma viatura da polícia, que perseguia um carro também preto, mais tarde identificado como sendo um Palio, que teria furado dois bloqueios.   Segundo relato de Schuhli, que teve ferimentos no rosto, logo depois do acidente os policiais deram vários tiros contra o carro, provavelmente acreditando que fosse o que estavam perseguindo. Um desses tiros atingiu Rafaeli na cabeça.   Quando o motorista conseguiu se identificar para os policiais, eles próprios teriam reconhecido o erro cometido. A ambulância foi chamada, mas a estudante acabou morrendo no hospital. A ação policial foi condenada pelo governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), que a considerou "rigorosamente injustificável".

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