Delegado assume responsabilidade pelo vazamento das fotos

O delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno, que prendeu Valdebran Padilha e Gedimar Passos com R$ 1,75 milhão em hotel em São Paulo, assumiu neste sábado, ao repórter do Estado Paulo Baraldi, que foi o responsável pelo vazamento das fotos e disse ainda que, na segunda-feira, em entrevista coletiva, dirá "coisas surpreendentes". As fotos com o dinheiro apreendido foram divulgadas pelo Portal do Estadão na sexta-feira.Inicialmente, o delegado negou ter distribuído o CD com fotos com o dinheiro apreendido pela Polícia Federal. Segundo ele, o CD havia sumido de seu arquivo pessoal entre quinta à noite e sexta de manhã. Ao perceber o sumiço, ele admitiu ter feito ligações para alguns jornalistas para checar se alguém tinha o CD.O delegado também defendeu, neste sábado, uma ?ampla divulgação? dos dados sobre a compra do dossiê contra o candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, José Serra, pelo qual o PT pretendia pagar R$ 1,75 milhão. ?O povo tem o direito de saber tudo?, disse o policial. ?O erro foi não ter dado publicidade, inclusive do dinheiro apreendido, logo no começo da investigação.?IsençãoHá 10 anos na corporação, já atuou em quase todos os setores da PF - hoje, trabalha na Delegacia de Crimes Fazendários. Bruno afirmou que é apartidário, que trabalha com isenção, que sua ficha funcional é limpa e que votou em Lula nas eleições de 2002.Ele vai depor no inquérito aberto para investigar o vazamento do CD com 23 imagens da montanha de dólares e de reais que dirigentes do PT amealharam para adquirir material barato - o dossiê custou R$ 200 ao seu mentor, Luiz Vedoin, chefe da máfia das ambulâncias. Bruno comandou a operação na madrugada de 15 de setembro, no Hotel Ibis, onde foram capturados dois petistas com o dinheiro, Valdebran Padilha e Gedimar Passos. O delegado revelou indignação com acusações do PT sobre suposta venda do CD com as fotos. ?Eu não me envolvo com questões políticas, atuaria da mesma forma se o caso envolvesse gente do PSDB. Foi tudo dentro da legalidade, cumpri meu dever em busca da verdade. Não tenho nenhum pingo de simpatia partidária, não fiz nada de errado, durmo tranqüilo.?A matéria foi alterada às 16h36, com correção de informações

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