Delegado compõe rap e vira estrela no interior de SP

Letra da música diz que policiais e bandidos vivem a mesma realidade

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 13h03

Os telefones da Delegacia de Polícia de Igarapava, a 450 quilômetros de São Paulo, não param de tocar. As pessoas querem ouvir a voz do delegado Cloves Rodrigues da Costa, de 46 anos, para ter certeza de que é ele o misterioso cantor e autor do rap Laços Eternos, a música mais pedida nas duas rádios locais, com gírias como "olhaí sangue bom" e frases feitas, como "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". O hit já chegou a cidades maiores, como Franca. "Você atende e as pessoas já pedem o rap do delegado", conta o radialista Francisco Ribeiro. A letra da música fala de uma sociedade que exclui tanto o bandido quanto o policial e diz que ambos são produtos da camada social mais baixa. Ele descreve o policial como "o caçador que se disfarça, mas mora do lado da caça". Na terça-feira, 19, na Academia da Polícia Militar, em São Paulo, onde dá aulas, Costa foi alvo de cumprimentos e brincadeiras, depois que uma emissora de TV contou sua história. "As pessoas estranham um delegado fazendo rap, mas foi a forma de fazer a mensagem chegar ao público." Delegado há 13 anos, ele conta que nunca pensou em compor, muito menos cantar. Costa participava de uma palestra quando surgiu a idéia. "Estávamos discutindo o filme Antônia, de Tata Amaral, sobre um grupo feminino de hip hop, daí fiz e cantei o refrão. Como o pessoal gostou, comecei a desenvolver o resto da letra." Em Igarapava, Costa mostrou a música a um amigo dono de rádio, que sugeriu que a gravassem em CD. "Ele teve a idéia: eu cantava e o público seria desafiado a descobrir de quem era a voz", conta o delegado. Em uma semana, ninguém acertou. Até alguém se lembrar do delegado. "Foi surpresa geral, principalmente porque é um rap, geralmente associado à marginalidade." Algumas pessoas comentaram sobre a semelhança física do delegado com o cantor Amado Batista. Ele diz que não pensa em ser cantor, mas admite a possibilidade de uma parceria para compor músicas. " No fim, pode ser uma coisa boa."

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