Ellis Rua / AP
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Delegado confirma a parlamentares investigações sobre políticos no caso Marielle

Segundo Giniton Lages, responsável pela apuração do assassinato da vereadora, há pelo menos duas linhas de investigação que envolvem políticos do Rio

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2018 | 03h00

RIO - O delegado Giniton Lages, responsável pela investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), confirmou nesta quarta-feira, 22, para uma comissão de deputados federais que, de fato, existem pelo menos duas linhas de investigação que envolvem políticos do Rio. Segundo Lages, a execução de Marielle é o caso mais complexo, difícil e desafiador de sua carreira.

A confissão foi feita aos deputados federais Chico Alencar (PSOL), Jean Wyllys (PSOL), Glauber Braga (PSOL) e Jandira Feghali (PCdoB). Eles integram a comissão da Câmara que acompanha as investigações do crime e estiveram nesta quarta reunidos com policiais e procuradores que trabalham no caso. 

Segundo o deputado Chico Alencar contou ao Estado, Lages confirmou aos parlamentares que existem linhas de investigação envolvendo políticos do Rio, embora não tenha querido dar detalhes.

Uma dessas linhas de investigação, que também foi confirmada no início deste mês pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), envolve a participação de três parlamentares do MDB envolvidos na Lava Jato: Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo. De acordo com essa linha, a prisão dos parlamentares teria sido possível por conta de um acordo firmado entre Freixo e o Ministério Público e a morte da Marielle teria sido uma vingança. Os três negam as acusações.

Outra linha envolve o miliciano Orlando Curicica, que está preso, e o vereador Marcelo Siciliano. Segundo essa hipótese, o crime teria sido encomendado pelo vereador porque as ações de Marielle estariam prejudicando os negócios da milícia na zona oeste. Siciliano e Curicica negam as acusações.

“Ele nos falou que foi o caso mais sofisticado que já teve de apurar em vinte anos de profissão, que tudo foi feito com muito cuidado para não deixar pistas e contou com uma rede de cumplicidade muito grande”, contou Alencar.

“Foi um crime sofisticado, muito profissional, a ponto de os assassinos terem ficado horas a fio dentro do carro.” Ainda segundo Alencar, o delegado admitiu que nunca uma investigação policial esteve cercada de tanto sigilo, mas que isso se deve à complexidade do caso.

“Apesar disso, o delegado disse que está otimista, que a investigação está avançando”, disse Alencar. “Mas não quis fixar prazos.” Chico Alencar contou que o delegado assegurou que o caso continua sendo prioridade da polícia e que tem mais de vinte homens trabalhando na investigação.

“Ele contou também que acha que a federalização da investigação seria prejudicial, seria um atraso”, contou. “Mas que a Polícia Federal está colaborando.” Chico Alencar considerou o encontro positivo. “Senti firmeza”, disse. “Senti que, no mínimo, eles estão sentindo a pressão e a cobrança.”

 

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