Delegado da Satiagraha vai chefiar retomada de US$ 3 bi

Com a missão de trazer de volta os US$ 3 bilhões bloqueados no exterior a pedido do Brasil, o delegado Ricardo Andrade Saadi, da Polícia Federal, assume esta semana a Direção-Geral do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça. A fortuna, fruto de ações criminosas como sonegação e narcotráfico, é parte do que foi remetido ilegalmente em operações de lavagem de dinheiro.

Vannildo Mendes / Brasília, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

Saadi coordenou, por exemplo, a força-tarefa encarregada de refazer o inquérito da Operação Satiagraha, contaminado por irregularidades atribuídas ao delegado Protógenes Queiroz, afastado do caso e da instituição. A Satiagraha investigou o banqueiro Daniel Dantas, dono do banco Opportunity.

Máfia chinesa. Alvo de ingerências políticas na gestão do ex-secretário Romeu Tuma Júnior, o DRCI esteve acéfalo nos últimos dois anos. Tuma Júnior foi afastado do cargo em junho, após uma série de reportagens publicadas no Estado sobre suas relações com o chinês Li Kwok Kwen, o Paulo Li, preso por ligações com máfia chinesa em São Paulo.

Os US$ 3 bilhões que o Brasil quer repatriar estão retidos em bancos dos EUA, Suíça, Reino Unido, Ilhas Cayman, França, Luxemburgo, Uruguai, Bahamas, China e outros países que sediam paraísos fiscais. Até hoje, o Brasil só conseguiu até agora repatriar US$ 2,6 milhões, menos de 1%.

Formado em direito e economia, com pós-graduação em direito político e econômico, Saadi, de 34 anos, é especialista no combate à lavagem de dinheiro. Em 2008, Saadi comandou a operação que resultou na prisão do traficante colombiano Juan Carlos Abadía, extraditado em 2009 para os EUA.

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