Delegado diz a familiares que manete causou acidente

O delegado Antônio Barbosa, do 27º Distrito Policial de São Paulo, confirmou aos familiares das vítimas do vôo 3054 da TAM que o acidente que matou 199 pessoas em 17 de julho do ano passado foi provocado, entre outras causas, pela posição de um dos manetes, que manteve a turbina direita do avião em aceleração durante a aterrissagem no Aeroporto de Congonhas. "Foi o fator principal, mas não sabemos se ocorreu por erro do piloto ou falha do equipamento", descreveu durante encontro com 160 pessoas ontem, em Porto Alegre (RS). Os parentes, no entanto, pressionaram o delegado em busca de novas informações sobre a investigação da tragédia.A informação dos manetes não provocou impacto entre os participantes da reunião porque já era conhecida desde a época do acidente e foi apenas reafirmada pela investigação. Os familiares preferiram manter a mobilização para esclarecer as outras causas da tragédia pressionando a Aeronáutica, a Infraero, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a TAM a encaminharem explicações a respeito das regras vigentes à época e precauções que deveriam ter sido adotadas para evitar o desastre. Na reunião, os familiares também ouviram o perito em segurança de vôo Antônio Nogueira dizer que a pista estava em boas condições e que provavelmente o problema tenha ocorrido na aeronave. "Mas falta a análise das condições no dia do acidente, feita pela Aeronáutica, que já pedimos ao governo federal em dezembro e fevereiro e ainda não temos", indicou o presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo TAM JJ 3054 (Afavitam), Dario Scott. Os participantes da reunião também reclamam da TAM. Com base em informações repassadas pelo delegado em encontros anteriores, eles estão convictos de que a empresa assumiu os riscos de causar o acidente por não seguir uma norma já existente de não pousar em Congonhas com um reverso travado, como foi o caso. "Essa tragédia não tem nada de acidente e o Brasil quer as respostas", disse o secretário da Afavitam Christophe Haddad. A empresa informou, por sua Assessoria de Imprensa, que cumpre todas as normas de aviação vigentes e que não comentará a questão dos manetes até a conclusão das investigações. O delegado Antônio Barbosa admitiu que o encerramento do inquérito, previsto para julho, poderá ser retardado se as informações técnicas que espera da Aeronáutica não chegarem às suas mãos nos próximos dias.

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