Delegado diz que apreensões mostram sua eficiência

O delegado Antônio Carlos Piccino Filho disse ontem que durante o tempo em que dirigiu a Delegacia Seccional de Jaú foram apreendidas 1.058 máquinas caça-níqueis pelos seus subordinados e apenas 468 pela Polícia Militar. Piccino mostra com orgulho os números para desmentir a acusação de que teria proibido que seus subordinados apreendessem as máquinas dos comerciantes que lhe pagariam propina. "Minha delegacia era a que mais apreendia caça-níqueis na região", disse.Piccino Filho dirigiu a Seccional de Jaú de 2006 a 2008. Nos três anos, sua delegacia só apreendeu menos máquinas do que a PM em 2008. "Isso por causa da greve da polícia", afirmou. O delegado afirmou que seus números são muito superiores aos das apreensões feitas pela Delegacia Seccional de Marília, que em 2007 foi dirigida pelo delegado Roberto Fernandes, que denunciou o suposto esquema de corrupção. Segundo Piccino Filho, Marília apreendeu 470 máquinas em três anos, uma média de 1,4 máquina por mil habitantes enquanto que em Jaú essa média foi de 5,4 máquinas por mil habitantes."Essas acusações trouxeram muito choro e tristeza para mim. Tenho 20 anos de polícia, todos vividos aqui na região. Todo mundo me conhece e sabe quem eu sou", afirmou o delegado. Piccino Filho foi acusado por um investigador e dois delegados de ter proibido apreensões de máquinas na região de Jaú sob a argumentação de que se tratava de crime de competência da Polícia Federal. Ele teria pedido ao investigador Antônio Carlos Pavini que se reunisse com representantes da máfia dos caça-níqueis para que ele fizesse "vistas grossas"."Eu vou demonstrar no processo por que estão falando isso de mim. Não vou acusar ninguém, mas quero dizer que tudo isso é um grande equívoco", afirmou. O chefe de Piccino Filho era o delegado Roberto de Mello Annibal, que se aposentou no mês passado. Ele também se disse vítima de uma armação de desafetos e alegou ser inocente.

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