Delegado diz que bens estão ligados à venda de gado

Chefe do Denarc afirma ser vítima de perseguição e culpa pessoas que afastou ao assumir o departamento

Josmar Jozino e José Dacauaziliquá, O Estadao de S.Paulo

12 de junho de 2008 | 00h00

Vingança e uma análise superficial de dados financeiros. Essas são as justificativas do diretor do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc), delegado Everardo Tanganelli Júnior, para a investigação do Ministério Público Estadual (MPE) por enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. Ele alega que seus rendimentos são "frutos de décadas de trabalho". "Só vêem o que eu tenho hoje, não o que já fiz. E estou sendo vítima de uma perseguição por parte de pessoas que afastei." Ele revelou que seus ganhos atuais incluem o salário, a venda de gado, a negociação de propriedades e os lucros com uma fábrica de reciclagem de plástico que possui.O delegado alega que seu patrimônio foi constituído sobretudo com a negociação de gado. "O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) viu os depósitos na minha conta no ano passado, de R$ 200 mil, de R$ 150 mil, e achou que se tratava de movimentação irregular. No entanto, era só venda de gado", diz."Em 1984, comprei minha primeira fazenda e fui me expandindo em Jaú, no interior paulista. Em 1990, comprei com sócios mais duas propriedades em Mato Grosso do Sul. Fui criador de avestruz, quando estava em alta. Saí quando o negócio entrou em baixa", diz, para justificar parte dos bens. Delegado de polícia há três décadas, ele também ressalta que já conciliou a atividade com uma empresa de segurança. "Tinha 400 funcionários."Sobre os apartamentos luxuosos, fazendas e terrenos em nome de Tanganelli, o advogado constituído pelo chefe do Denarc, Cid Vieira de Souza Filho, se mostrou surpreso. "Como o MPE conseguiu fazer esse levantamento, se os dados do delegado estão sob sigilo?"O advogado contou que entrou em contato, no ano passado, com o Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária (Dipo), para saber se havia algum tipo de investigação que envolvesse o nome de Tanganelli. Em 20 de julho, ele recebeu a resposta. "Não havia nenhuma investigação." Souza diz que todas as denúncias são anônimas e surgiram como represálias. Ele alegou que essas acusações começaram a surgir meses depois que o chefe do Denarc assumiu a direção do departamento e transferiu cerca de 60 delegados e policiais da gestão anterior. "Eram pessoas que estavam no Denarc, mas não se enquadravam na nova filosofia de trabalho e no perfil da nova administração. Acreditamos que agora exista uma perseguição a um homem que há 32 anos combate a criminalidade."Tanganelli também negou a cobrança de propina para liberar caça-níqueis - denunciada em depoimento ao MPE pelo delegado Roberto Conde Guerra "Fiquei um ano na Deinter-6, em Santos, e havia tanta investigação lá que não dava tempo nem para respirar."

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