Delegado diz que serralheiro confessou ter matado casal

A Polícia Civil de Bragança Paulista, interior de São Paulo, prendeu nesta terça-feira, 12, dois suspeitos de participação na morte do casal Eliana Faria da Silva, 32 anos, e Leandro Donizete de Oliveira, 31 anos. O casal morreu queimado na madrugada de segunda-feira, 11, dentro de um carro, em uma estrada de terra do bairro do Tanque, após assalto à loja da qual Eliana era gerente. Com eles estavam a gerente-caixa Luciana Michele de Oliveira Dorta e o filho do casal, Vinícius, de 5 anos. Depois de passar duas noites e um dia na UTI, Vinícius também morreu, na manhã desta terça.Segundo informou o delegado seccional Paulo Afonso Tucci, o serralheiro Joabe Severino Ribeiro, 36 anos, confessou o crime e disse ter usado thinner para atear fogo no carro, depois de uma das vítimas reconhecer os suspeitos. A Justiça decretou a prisão preventiva do serralheiro na segunda-feira. Nesta terça, Ribeiro não quis falar com a imprensa. Ele foi levado para o Centro de Ressocialização de Bragança Paulista.O segundo suspeito, identificado pela polícia apenas como Fernando, seria cunhado de Ribeiro e o suposto mentor do crime, segundo Tucci. Fernando foi contratado para prestar serviços como eletricista na loja Sinhá Moça, em que Eliana era gerente. Até as 18 horas desta terça, Fernando ainda estava com policiais. Segundo informou um delegado ao Estado, ele também teria confessado o crime.No portão da Delegacia Seccional, pelo menos cem pessoas xingavam os suspeitos - que não estavam lá - e exigiam a abertura dos portões. O sentimento de revolta tomou conta da cidade e levou pelo menos 200 pessoas ao enterro de Vinícius.Ribeiro e Fernando foram detidos sob suspeita de latrocínio (roubo seguido de morte). O serralheiro tinha passagem pela polícia por tentativa de latrocínio, em 1993. Os supostos assaltantes levaram pelo menos R$ 20 mil em dinheiro e cheques da loja Sinhá Moça, no Centro de Bragança. "Não há dúvidas sobre a autoria", afirmou Tucci. "Além da confissão, o conjunto de provas é muito forte."Entre as evidências estão o reconhecimento de Ribeiro pela gerente-caixa e as queimaduras no rosto e no braço esquerdo do serralheiro. Num primeiro momento, ele disse à polícia que se feriu durante o trabalho. "Mas ele é destro", disse o delegado. Outra prova seria o Kadett cor de vinho usado por Ribeiro, cuja placa tem três letras e dois números reconhecidos por Luciana.A gerente-caixa foi transferida na tarde de segunda do Hospital Universitário São Francisco para outro hospital especializado em tratamento de queimaduras, na região de Campinas, com pelo menos 70% do corpo gravemente ferido, segundo informou um policial.Segundo Tucci, na tarde de segunda-feira familiares disseram à polícia que Luciana teria sido ameaçada, por meio de telefonemas feitos por desconhecidos a funcionários do hospital. Na terça, o delegado cogitou a possibilidade de trote, mas informou que a gerente-caixa está sob proteção policial.EnterroFuncionários da loja de artigos de cama, mesa e banho Sinhá Moça deram as mãos e formaram uma espécie de cordão para isolar a família de Vinícius Faria de Oliveira, 5 anos, das cerca de 200 pessoas que passaram pelo velório municipal na tarde desta terça. Eram parentes, amigos e moradores de Bragança que se chocaram com o crime cometido na madrugada de segunda-feira. Abraçada ao caixão de Vinícius, que teve 90% do corpo queimado e morreu na manhã de ontem, a irmã da gerente Eliana, Magali, gritava o nome do menino e chorava. O enterro ocorreu às 17 horas. Do Cemitério da Saudade, na Vila Municipal, muitos seguiram para a Delegacia Seccional. "Eu quero justiça", gritava o irmão de Eliana, Lucas Faria da Silva, 22 anos, na porta da delegacia. "Vou ficar aqui para ver a cara desse desgraçado. O que ele tirou da gente não tem volta, mas quero que ele pague." O crimeO crime ocorreu na madrugada de segunda-feira, 11, quando dois bandidos invadiram a casa da gerente Eliana, de 32 anos, e fizeram o filho e o marido, Leandro, de 31 anos, reféns. Os assaltantes obrigaram Eliana a ir até a casa de um funcionária da mesma loja, Luciana Michele de Oliveira Dorta, de 27 anos, que estava com as chaves do cofre.Após roubarem pelo menos R$ 20 mil em cheques e dinheiro do cofre da loja, os bandidos levaram os reféns para a estrada velha que liga Bragança Paulista a Atibaia e resolveram queimar as vítimas vivas para não deixar testemunhas. Os quatro foram amarrados no carro e em seguida o veículo foi incendiado; o casal morreu no local.Luciana fugiu com o menino do carro em chamas. Os dois foram internados em estado grave. Inicialmente, os dois foram encaminhados ao Hospital Universitário São Francisco, mas Luciana teve de ser transferida sob escolta policial para outro hospital, não revelado porque o São Francisco recebeu ameaças de criminosos por telefone por manter Luciana internada no local, de acordo com Tucci. Já Oliveira morreu queimado no porta-malas. O corpo de Eliana estava no banco da frente e, segundo a polícia, tinha perfurações no pescoço e na nuca, feitas a faca. Luciana e Vinícius estavam amarrados no banco de trás. Luciana contou ao marido, Flávio Dorta, que só se lembra de ter soltado as amarras e puxado o menino para fora do veículo. Ela foi socorrida por um casal. Depois que os policiais receberam a informação de que Luciana estava no hospital, seguiram para a estrada onde o carro foi incendiado. No caminho, encontraram o garoto que caminhava pela estrada e estava em estado de choque. Ainda assim, indicou à polícia o local onde estava o carro com os pais que foram encontrados já carbonizados.Matéria ampliada às 19h33

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