Delegado do Rio critica estratégia da polícia de SP

A estratégia usada pela polícia de São Paulo para solucionar casos de seqüestro não é a mais eficiente, na opinião do titular da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS) do Rio, delegado Fernando Moraes. Atualmente, não há crimes desse tipo em andamento no Estado do Rio, pelo menos oficialmente, e o número de registros vem caindo nos últimos seis anos -houve apenas um aumento de quatro casos de 2000 para 2001.Em 1995, a DAS registrou 108 seqüestros, mas o delegado acredita que tenham sido mais de 150, porque os números, segundo ele, não eram confiáveis naquela época. No ano passado, foram nove casos, todos resolvidos com sucesso - as vítimas foram libertadas, não houve pagamento de resgate e integrantes das quadrilhas foram presos."A polícia de São Paulo tem gente boa, mas lá a política de segurança pública é diferente. Eles atuam de outra forma nos casos de seqüestro: pagam o resgate para depois salvar as vítimas. Aqui (no Rio), não; a gente investiga, prende e salva, sem pagar. Nós nunca pagamos", disse Moraes.Delegado acredita que, apesar de perigosa, estratégia é eficaz.O delegado admite que a estratégia adotada por ele é, em tese, mais arriscada para as vítimas, mas afirma que dá certo porque houve especialização dos policiais. Hoje, a DAS conta com 105 homens: 88 investigadores, 15 PMs e dois agentes penitenciários."Investigar e só atuar depois do pagamento do resgate não é legal. O Japão faz isso, mas lá eles seguem o bandido todo dia, sem ele saber, até o pagamento do resgate, e esperam a vítima ser solta para prendê-lo", contou Moraes. "Aqui a gente não tem como fazer isso, principalmente quando o número de casos é grande, como era há cinco anos. Nós investigamos e prendemos, sem pagar, e tem dado certo."Ele afirma que o número de seqüestros em São Paulo deve aumentar este ano, caso a polícia não mude sua estratégia. "Quando um negócio dá certo, o bandido vai continuar fazendo e outros acabam gostando da idéia. É como um investimento."O delegado disse que, ao contrário do que se imagina, a DAS não trabalha com equipamentos sofisticados e possui uma verba anual de apenas R$ 4 mil. "Não temos nada de aparelhos sofisticados, de última geração. Nosso trabalho é de especialização", ressaltou.Sobre seus subordinados, Moraes diz que põe a mão no fogo pela maioria. "Se errar, sou o primeiro a mandar prender, porque não dá para trabalhar com corrupto", afirmou o delegado. "Nos especializamos na marra; levamos cinco anos para isso: não adianta botar açougueiro para fazer cirurgia de coração."

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