Delegado e mais 9 policiais são presos acusados de explorar jogo

Cinco delegacias foram revistadas na 1.ª grande ação após corregedoria ficar independente

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

Uma organização criminosa que explorava o jogo ilegal, corrompia policiais e lavava dinheiro da máfia dos caça-níqueis foi desarticulada ontem pela Operação 11 de Setembro. Ao todo 17 pessoas, entre elas um delegado e nove investigadores, foram presas e 45 mandados de busca e apreensão foram cumpridos por cerca de 200 policiais da Corregedoria da Polícia Civil e por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Cinco delegacias foram revistadas na primeira grande ação desde que a corregedoria se tornou independente, há um mês.

"Essa operação é fruto do trabalho da corregedoria, que cortou na própria carne", afirmou ontem o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto. Entre os detidos está o delegado João Rosa, titular do 73º Distrito Policial, no Jaçanã, na zona norte de São Paulo. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro da máfia dos caça-níqueis. Rosa foi detido em casa, na Aclimação, região central. Era o alvo "Alfa" da operação. Os corregedores revistaram sua casa em busca de anotações, extratos bancários e computadores.

Além dele, foi preso o investigador Maurício Rocha, do 1º Distrito Policial de Guarulhos, na Grande São Paulo. Rocha era acusado de ser sócio de José João da Silva, o Jabá, apontado como um dos chefes da máfia dos caça-níqueis em Guarulhos. Jabá e o investigador seriam sócios em uma loja de automóveis na Rua Jamil João Zarif, em Guarulhos. Ali os fiscais da Receita Federal encontraram 20 motocicletas e 15 carros com supostas irregularidades administrativas, o que levou à apreensão dos veículos.

Outros cinco investigadores foram presos - dois deles eram chefes de investigadores dos 7º DP e do 9º DP de Guarulhos. A cidade teve cinco de suas nove delegacias revistadas. A Delegacia Seccional de Guarulhos informou que os policiais investigados que ocupam cargos de chefia serão afastados.

Também foram presos três policiais militares acusados de conivência com o jogo. Segundo as investigações, os policiais recebiam dinheiro para permitir o funcionamento das máquinas. Em um imóvel relacionado pelos corregedores ao policial Rocha foram achados caça-níqueis. Os suspeitos lavariam o dinheiro do jogo em supermercados e lojas de carros.

A investigação identificou ainda três laboratórios para a construção de máquinas. O maior ficava na Avenida Eduardo Cotching, na Vila Formosa, na zona leste. Ele seria da empresa Real Games. Outro na Vila Formosa cuidava dos aparelhos para recolher as notas de dinheiro. O terceiro montava máquinas e pertenceria à empresa Paquito Games. Além de Jabá, outros supostos integrantes da máfia investigados são os comerciantes Roberto de Assis Neto, o Abóbora, e Edson Souza Pepe. Os advogados dos acusados não quiseram se pronunciar.

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