Delegado é preso no Rio por crime de extorsão

O delegado Carlos Heitor Sanches, da DEAC (Delegacia Especial de Acervo Cartorário) foi preso hoje por crime de extorsão por policiais da Corregedoria de Polícia. Sanches foi flagrado quando recebia um cheque de R$ 7,5 mil. Agentes da Corregedoria vinham investigando o delegado há uma semana em consequência de denúncia de um consumidor que comprou um carro na concessionária Roma (Fiat), na zona Norte. O advogado da empresa vinha sendo pressionado pelo delegado porque o veículo foi vendido sem a devida documentação. O advogado do delegado, Michel Assef, disse que o flagrante foi forjado pela Corregedoria. Segundo ele, um homem procurou Sanches em seu gabinete. Após um breve diálogo, deixou o cheque sobre sua mesa e, em seguida, foi embora. Naquele momento os agentes chegaram e prenderam o delegado. De acordo com a corregedora Ângela Virgínia Ferreira, porém, Sanches foi flagrado com o cheque no bolso. Ela relatou que a concessionária recebeu o carro como parte de um pagamento e logo em seguida o revendeu. Quando foi regularizar a transferência de propriedade do veículo, o consumidor constatou que havia irregularidades na documentação. Para não intimar nem indiciar o casal que vendeu o carro para a concessionária, Sanches estava pedindo uma quantia equivalente a US$ 6 mil, e depois baixou para US$ 3 mil, ao câmbio da segunda-feira. Ao ser comunicada, a Corregedoria orientou o advogado a comparecer ao escritório do delegado, usando um ponto eletrônico (escuta). A conversa entre os dois estava sendo acompanhada pelo delegado Paulo Henrique Ribeiro que, ao receber a senha do advogado da concessionária, entrou no escritório de Sanches e o flagrou com o cheque no bolso. Durante seu depoimento à corregedora, no início da noite de ontem, Sanches se sentiu mal e foi levado para um hospital particular. Em entrevista, o chefe da Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, informou que a pena do delegado pode variar de quatro a dez anos de prisão. De acordo com Zaqueu o delegado da DEAC tem antecedentes administrativos. "Este senhor tem antecedentes na polícia. Já respondeu a inquéritos administrativos e já teve várias suspensões", afirmou o chefe da Polícia Civil.

Agencia Estado,

14 de maio de 2002 | 20h26

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