Delegado federal disse que foi monitorado por bandido

O secretário da Segurança Pública do Espírito Santo, delegado federal Rodney Miranda, afirmou nesta sexta-feira que estava sendo monitorado por André Luiz Barbosa Tavares, de 22 anos, preso acusado de emprestar a motocicleta aos dois criminosos que assassinaram o juiz Alexandre Martins de Castro Filho, na segunda-feira.Miranda disse que foi monitorado quando caminhava sozinho pela praia, perto de seu apartamento, cerca de quarenta minutos antes do crime.A informação confirma a suspeita, revelada na quarta-feira pelo Estado, de que o plano era matar, além do juiz, o secretário e o procurador da República no Espírito Santo, Henrique Herkenhoff.Segundo a polícia, foram encontrados os óculos escuros e a roupa usada pelo acusado quando este vigiava Miranda, que disse ter reconhecido Tavares e já tê-lo visto, em outra ocasião, próximo de sua casa. Como o juiz, o secretário estava sem segurança, mas o fato de ter olhado para o suspeito pode ter, segundo ele, inibido sua ação.Quando chegou em casa, Miranda recebeu a notícia de que o magistrado tinha sido assassinado. Segundo ele, Herkenhoff mudara sua rotina na segunda-feira. "Isso não nos intimida e não vai nos intimidar", declarou Miranda, que teve sua segurança reforçada.O secretário revelou nesta sexta-feira que os dois policiais militares detidos no dia do crime seriam os intermediários entre o coronel da reserva da PM Walter Gomes Ferreira, que está preso no Acre e é acusado de ser o mandante do crime, e os executores.Investigadores descobriram que os sargentos Heber Valêncio e Ranilson Alves da Silva tinham firmado contrato de locação no ano passado de um apartamento em Vila Velha próximo da residência de Castro Filho e da academia de ginástica onde ele foi morto ao chegar. A polícia suspeita de que o local funcionaria para monitorar o magistrado. A informação de que Valêncio trabalhou fazendo a segurança do Fórum de Vitória no ano passado foi confirmada. Miranda disse ainda que pretendia aumentar a segurança do juiz, mas, segundo ele, isso não tinha como ser feito no momento porque precisava de uma pessoa de sua confiança com o magistrado."Na quarta-feira da semana passada, tirei a segurança dos meus filhos para deixar com o juiz. Pela amizade e importância dele no combate ao crime organizado, não me senti seguro de oferecer uma pessoa que não conhecia. Como há suspeita de policiais militares envolvidos no crime, imagina se eu tivesse colocado um desses na segurança dele. Eu já tinha me comprometido a solucionar o problema do revezamento dos policiais, mas infelizmente não tive tempo", disse ele.Nesta quarta-feira, o pai do magistrado criticou o fato de apenas um policial ter ficado responsável pela proteção de seu filho. O secretário informou que a decisão do governador Paulo Hartung de colocar um segurança com ele foi tomada na quarta-feira da semana passada por causa do assassinato do juiz Antonio José Machado Dias, em São Paulo.Dos dois homens que estavam na motocicleta e são acusados de matar Castro Filho, Giliarde Ferreira de Souza, de 20 anos, foi preso no mesmo dia e confessou ter atirado no peito dele. Ele alega que o juiz reagiu a uma tentativa de assalto.Odessi Martins da Silva Júnior, de 19 anos, o Lombrigão, que continua foragido, pilotava a moto e teria atirado na cabeça e no braço do magistrado, segundo o depoimento de Souza. Leandro Celestino, de 23, está preso e confessou ter emprestado uma das duas pistolas usadas no crime. Veja o especial:

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