Delegado-geral do Pará é exonerado após comentários sobre L.

Raimundo Benassuly colocou em xeque a estabilidade mental da garota presa e estuprada em cela masculina

Carlos Mendes, especial para o Estadão,

28 de novembro de 2007 | 19h38

O chefe da Polícia Civil, delegado Raimundo Benassuly Maués Junior, colocou o cargo à disposição da governadora Ana Júlia Carepa, depois ter declarado na terça-feira, 27, durante audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, que a menor L., de 15 anos, que ficou 24 dias presa na mesma cela com vinte homens seria portadora de "debilidade mental". Ana Júlia anunciou no final da tarde que o cargo será ocupado interinamente pelo delegado Justiniano Alves Junior.    Delegado afirma que L. também é culpada: "Ela tem problema mental"  Presas não querem ser levadas para Belém  No Pará, laudo aponta que L. não está grávida   O delegado Benassuly também deve enfrentar a acusação de assédio sexual contra uma ex-delegada, Clívia Santa da Silva, que deixou a polícia em abril passado. Ela denunciou o suposto assédio à presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Pará, Ângela Sales, que prometeu tomar providências contra o delegado. "Fui perseguida e difamada por outros policiais", disse Silva, aos prantos. Benassuly não foi localizado para responder à acusação da ex-colega. Seus telefones permaneceram desligados e ele não compareceu à sede da Polícia Civil.   Sem prestar declarações à imprensa, no Palácio dos Despachos, sede do governo paraense, Ana Júlia também anunciou que a delegacia de Abaetetuba será demolida imediatamente para no lugar ser construído um centro de triagem , com espaço físico para receber "em condições adequadas", presos dos sexos masculino e feminino.   Diante dos jornalistas e com sua assessoria antes avisando que ela não responderia a nenhuma pergunta, a governadora destacou ter aceitado o pedido de demissão do delegado por considerar "insustentável" a permanência dele no cargo após a declaração feita no senado. Ela agradeceu a Benassuly, que ficou à frente da Polícia Civil por quase 12 meses, "prestando serviços com ética e dedicação".   "Sei que não soube usar as palavras certas para expressar minha preocupação e indignação quanto ao estado de saúde, no presente e no futuro, da menor, que foi destituída de todos os seus direitos como ser humano em uma carceragem da cidade de Abaetetuba", disse Benassuly na carta lacônica lida pela governadora. Ele argumenta que preferiu tomar a atitude para que não paire sobre o governo dela "qualquer palavra de dúvida" de seu compromisso com o povo do Pará.   Ela também informou que o Centro de Recuperação Feminino de Ananindeua será reformado e ampliado. No local será construído um berçário para as presas que tiverem de cuidar e amamentar seus filhos recém-nascidos. "Vamos crescer em mais de 100% as vagas femininas no sistema penitenciário", disse a governadora, anunciando a reforma de cinco delegacias e construção de seis outras, todas com espaço adequado para mulheres. Também abrirá concurso para a contratação de 1.800 policiais militares e convocará delegados, investigadores e papiloscopistas aprovados no último concurso da Polícia Civil.   Leia, abaixo, a íntegra do pronunciamento de Ana Júlia Carepa:   Estou aqui para anunciar que, na manhã de hoje, o Delegado Geral de Polícia Civil Raimundo Benassuly colocou seu cargo à disposição do Governo por reconhecer que se expressou de maneira inadequada na audiência da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.   De pronto, aceitei o pedido porque considero que a sua permanência no cargo é insustentável.   Com o afastamento, responderá pelo cargo, interinamente, o Delegado Geral Adjunto Justiniano Alves Junior.   Quero agradecer ao delegado Benassuly pelos serviços prestados com ética e dedicação durante estes onze meses que esteve à frente da Polícia Civil.   Além das medidas já anunciadas após o encontro de ontem com o Presidente Lula, determinei a imediata desativação e a demolição da área de carceragem da delegacia de Abaetetuba. Em seu lugar será construído um Centro de Triagem, com espaço físico para receber, em condições adequadas, presos masculinos e femininos.   Determinei, também, a imediata reforma e a ampliação do Centro de Recuperação Feminino de Ananindeua, com a construção de berçário.   Todas essas ações reforçam medidas adotadas desde o início do Governo na área da segurança pública, como:   - Crescimento em mais de 100% das vagas femininas no sistema penitenciário;   - Reforma de cinco delegacias e construção de seis novas delegacias, todas com espaço adequado para mulheres;   - Convocação de delegados, investigadores e papiloscopistas aprovados no concurso da Polícia Civil;   - Realização de concurso público para a contratação de 1.800 policiais militares;   Belém, 28 de novembro de 2007 Ana Júlia Carepa Governadora do Estado do Pará     Matéria ampliada às 20h44

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