Delegado, investigadores e perito indiciados por homicídio

Depois de quase oito anos, um delegado, três investigadores e um perito de Ribeirão Preto foram indiciados, ontem, pela Corregedoria da Polícia Civil, de São Paulo, por suspeita de participação num duplo homicídio. O crime ocorreu em 23 de maio de 1996, no bairro Avelino Palma, quando Enock de Oliveira Moura, de 18 anos, e Anderson Luís de Souza, de 15, morreram, após serem atingidos por vários tiros. Na época, os policiais informaram que houve troca de tiros na resistência à prisão, mas havia a suspeita de execução. Um dos acusados é o investigador Ricardo José Guimarães, preso em março pelo assassinato de Tatiana Assuzena, além de ser suspeito de outros crimes e até de integrar um suposto grupo de extermínio formado por policiais civis e militares. Após denúncias dos familiares, o Ministério Público de Ribeirão Preto abriu inquérito para apurar o caso e o encaminhou à Corregedoria da Polícia Civil. Moura tinha sido atingido por oito tiros e Souza por nove. Os indiciados são o delegado Sérgio Siqueira, os investigadores Pedro Moretti Júnior, Fernando Carrion e Ricardo José Guimarães (que está detido no Presídio da Polícia Civil, em São Paulo, desde março), além do perito Carlos Sampaio, acusado de ter feito uma falsa perícia para encobrir a suposta execução. No dia do crime, Siqueira comandava o Grupo Especializado de Policiamento Preventivo (GPPE), que se tornou, depois, o Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Durante patrulhamento, ele e seus comandados investigavam uma ameaça de morte num estabelecimento comercial. Com as informações das características dos suspeitos, a equipe viu Moura e Souza na rua. Houve troca de tiros entre policiais e bandidos, mas apenas a dupla saiu ferida. Ambos morreram antes da chegada ao hospital.

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