Delegado morto em SP havia sofrido atentado com granada em 2002

Paulo Pereira de Paula trabalhava na Delegacia de Investigações Gerais de Ribeirão Preto na época do ataque

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2012 | 20h26

O delegado Paulo Pereira de Paula, de 49 anos, morto na noite de sábado, 4, em suposta tentativa de assalto em São Paulo, tinha sido vítima de um atentado em 2002, quando ainda atuava na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto. Em agosto daquele ano, criminosos lançaram uma granada contra a casa do policial. O artefato explodiu e por pouco não causou a morte da mãe de Paula, que estava na sala da residência. Os bandidos ainda dispararam vários tiros contra os carros que estavam na frente da casa.

Quem conta é o delegado Fernando Gonçalves de Oliveira, da DIG de Ribeirão, amigo de Paula e que na época investigou o atentado. "Prendemos os autores e eles confessaram o crime. Eles faziam parte de uma quadrilha de ladrões de cargas e de veículos que o Paula estava investigando, por isso queriam sua morte ou pelo menos intimidá-lo."

De acordo com Oliveira, o delegado morto era destemido e fazia investigações inteligentes, por isso ele não acredita na hipótese de tentativa de assalto. "Não acredito que foi assalto. Tomar três tiros e não ter nada roubado... Ele nem chegou a sacar a arma, por que os bandidos iriam atirar?", questionou.

O delegado, que trabalhou 11 anos com o colega, conta que ele era de uma família de policiais e gostava da profissão. "O pai dele, também Paulo, é delegado aposentado. A mulher, Renata, é delegada em Passos, Minas Gerais, e um dos irmãos já foi delegado estadual e agora é federal. O outro irmão é médico legista e a irmã, fisioterapeuta. Uma família ótima. As filhas dele, a Vitória (18 anos) e a Fernanda (8 anos), estão inconsoláveis, como toda a família e os amigos."

Fernando acompanhou o velório e participou da salva de tiros em homenagem ao policial morto durante o sepultamento, no cemitério do distrito de Bonfim Paulista, em Ribeirão Preto. Ele disse que a morte do policial é uma grande perda, não só para os familiares e amigos, mas para a Polícia Civil do Estado de São Paulo. "Para os bandidos, ele era osso duro de roer, tanto que prendeu muitas quadrilhas, inclusive algumas que atuavam no litoral. É preciso ver o que de fato aconteceu, o que está acontecendo com os policiais. Não vi o governador Alckmin no enterro. É preciso investigar e esclarecer."

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