Delegado morto no Rio investigava atuação de milícias

Ele foi assassinado com um tiro na nuca na manhã de domingo, quando tomava café da manhã

da Redação, estadao.com.br

19 de maio de 2008 | 10h42

O delegado-titular da 20ª Delegacia de Polícia do Grajaú (zona norte), Alcides Iantorno de Jesus, de 66 anos, morto no domingo, comandou diversas delegacias distritais e especializadas. Ele investigou a atuação das milícias na Favela Kelson's, na Penha (zona norte) e o seqüestro e assassinato do líder comunitário Jorge Silva Siqueira Neto no ano passado. O chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, descartou roubo e disse que a possibilidade de o crime ter sido cometido por milicianos é a linha de investigação mais forte.   Homens ligados às milícias (grupos paramilitares que cobram por segurança em favelas do Rio) são os principais suspeitos da execução. Ele foi morto com um tiro na nuca na manhã de domingo, quando tomava café da manhã na lanchonete de um supermercado no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste. Segundo testemunhas, dois homens seguiram o delegado em um carro e um deles, com boné e óculos escuros, saltou, abordou o policial e o executou com um tiro na nuca. O assassino saiu do local atirando para o alto antes de entrar no carro, que saiu em alta velocidade.   Casado e pai de dois filhos, Iantorno, como era conhecido, tinha mais de 30 anos de polícia e também participou de outros casos importantes como o cerco e a prisão ao traficante Elias Maluco em 2002. Atualmente, ele estava na Delegacia do Grajaú, que assumiu após comandar a 22ª Delegacia da Penha, quando investigou a atuação das milícias na região e os confrontos entre policiais e traficantes no Complexo do Alemão.   A loja em que o policial foi morto ficava a poucos metros de sua casa no Recreio dos Bandeirantes. As favelas do bairro também são dominadas por milicianos. Após o crime, o local foi cercado por delegados, parentes e policiais em busca de informações. Os familiares disseram que o delegado não tinha inimigos pessoais. "Ele era um homem pacífico e sequer andava armado. Não acredito na hipótese de roubo", disse a delegada Valéria da Costa, que já foi adjunta de Iantorno.O crime será investigado pela Delegacia de Homicídios. A polícia chegou a anunciar que identificaria os assassinos pelas imagens das câmeras do circuito interno do supermercado, mas isso não foi possível devido à baixa qualidade das imagens.

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