Delegado morto no Rio não foi vítima de emboscada

O chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, descartou neste sábado a hipótese de o delegado Adalberto Chagas, assassinado ontem à noite na Estrada das Paineiras, no Rio, ter sido vítima de uma emboscada. O policial foi morto com um tiro na cabeça durante tentativa de assalto, segundo Lins. Ele estava numa picape Ranger, acompanhado dos inspetores Ricardo Wilker e Silvio Araújo, também baleados, e de um amigo quando foi abordado pelos criminosos, que ocupavam um Citroën roubado, segundo a polícia.Houve tiroteio e dois assaltantes, Leonardo Bezerra Serpa e Mário Durval Marques, morreram. Outro criminoso que também ocupava o carro conseguiu fugir. O inspetor Wilker, ferido nas costas e no braço durante a troca de tiros, está internado. Araújo levou um tiro de raspão, mas já foi liberado.A família do delegado proibiu o acesso da imprensa ao velório, na Academia de Polícia Civil.A cunhada do delegado, Ângela Cristina Faria, porém, desabafou ao chegar na academia. "Minhas sobrinhas agora estão sem pai. Isso é pouca vergonha. Não temos mais segurança neste País, os próprios policiais estão morrendo. Moro em Barcelona e lá ninguém mais quer vir para o Brasil. Isso aqui está uma selva, tem que colocar cadeira elétrica", disse ela.A polícia afirma ter encontrado uma pistola calibre 38 com os dois criminosos que morreram. Lins afirmou que o depoimento dos dois inspetores confirma que havia pelo menos mais um criminoso na ação. Segundo ele, o carro em que estavam os assaltantes havia sido roubado no Flamengo, zona sul. A Estrada das Paineiras, onde o crime ocorreu, corta a Floresta da Tijuca, no Alto da Boa Vista, local de pouco movimento, sem iluminação."Tudo indica que foi uma tentativa de assalto para levar a picape do delegado. Não há outra hipótese sendo investigada", disse Lins. Ele lembrou que, em março, o delegado foi responsável pela prisão de um criminoso ligado ao traficante Paulo César dos Santos, o Linho, em São Paulo. No entanto, descartou a ligação do crime com a prisão.O delegado entrou na Polícia Civil na década de 80 e havia assumido o comando da delegacia da Cidade Nova há dez dias. Em 2000, o inspetor Wilker foi investigado por uma comissão que apurava denúncias contra a chamada "banda podre" da polícia.

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