Delegado negocia curso com PM

Adjunto da Polícia Civil diz que quer formação mais ?eficiente?

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

28 Agosto 2009 | 00h00

O delegado-geral adjunto, Alberto Angerami, disse ontem que a Polícia Civil pretende reestruturar o Curso Superior de Polícia (CSP), "tornando-o mais dinâmico, eficiente e moderno". "As tratativas com a Polícia Militar para que o curso de 2010 seja integrado já começaram", disse Angerami. Segundo ele, o diretor da Academia, Adílson José Vieira Pinto, informou ontem que a ideia é criar uma regulamentação para o curso, o que não existia. O CSP é feito por delegados e oficiais como estágio necessário para a promoção aos níveis mais altos das carreiras policiais - coronel e delegado classe especial. Desde 2002, ele era feito em conjunto, mas, neste ano, por iniciativa da Polícia Civil, os delegados não compareceram à parte conjunta do curso, alegando que ele era dispendioso e de pouco interesse aos civis. Rivalidade entre as instituições e conflitos sobre o futuro das carreiras estariam por trás do fim da integração do CSP. Segundo a Associação dos Delegados de Polícia, o relacionamento entre as instituições azedou depois do conflito em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, durante a greve da Polícia Civil em 2008. A ação da Polícia Civil causou reação da Polícia Militar. O coronel Luiz Roberto Arruda, diretor do Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores (Caes) da PM, escreveu documento no qual dizia que parar a integração significava "repetir erros do passado, quando se entendia que comprar viaturas era mais importante que capacitar recursos humanos da polícia". O próprio secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, lamentou o fim da integração. Por escrito, ele se manifestou dizendo que era a favor de que a integração fosse além do CSP e que envolvesse as academias de formação dos novos delegados e oficiais. O Comando da Polícia Militar, por meio de nota, confirmou a existência de tratativas com a Polícia Civil para que o CSP volte a ser conjunto no próximo ano. De acordo com a nota, "foram realizados estudos sobre a mecânica de funcionamento do CSP integrado em 2010, evidenciando o desejo de ambas as instituições policiais de manter o CSP como importante instrumento de cooperação, diálogo e produção de conhecimento comum à polícia paulista". Os estudos estariam sendo feito pelo Caes e pela Divisão de Cursos Complementares da Academia da Polícia Civil.

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