Tasso Marcelo/AE
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Delegado pede prisão de motorista e universitário após acidente no Rio

Estudante de engenharia foi reconhecido como agressor do motorista, que dirigia em alta velocidade

Marcelo Gomes e Heloisa Aruth Sturm - O Estado de S.Paulo - Atualizado às 16h50,

03 Abril 2013 | 16h22

O delegado José Pedro Costa da Silva, da 21.ª DP (Bonsucesso), disse na tarde desta quarta-feira que vai pedir a prisão preventiva do estudante de engenharia da UFRJ Rodrigo dos Santos Freire, de 25 anos, e do motorista André Luiz da Silva Oliveira, de 33, que dirigia o ônibus da linha 328, que despencou de um viaduto, na zona norte. Sete pessoas morreram no acidente.

Os dois serão indiciados por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Duas testemunhas do acidente reconheceram Freire como o passageiro que pulou a roleta do ônibus, discutiu e agrediu com chutes o motorista. As testemunhas foram identificadas como o cozinheiro Marcelo e o técnico de informática Nelson. Os dois desceram do ônibus um ponto antes da queda. Rodrigo foi reconhecido por foto na delegacia e depois pessoalmente no Hospital Municipal Miguel Couto, na zona sul do Rio, onde permanece internado.

Em depoimento, Rodrigo disse que não se recorda do que aconteceu, sequer de ter entrado no ônibus. Segundo ele, sua última lembrança foi o momento em que saiu de casa, no bairro da Cacuia, na Ilha do Governador, para ir para a aula na UFRJ, na Ilha do Fundão. O depoimento do rapaz, que segundo o delegado estava bastante emocionado, foi acompanhado da mãe e da irmã. Ele disse que só ficou sabendo do acidente e das sete pessoas mortas pela imprensa, já que há uma tevê na enfermaria onde está internado. "Após as provas testemunhais, não há dúvidas de que Rodrigo foi o agressor do motorista. E o condutor, ao dirigir em alta velocidade, discutir com o passageiro, a ponto de ser agredido, também contribuiu para o acidente. Por isso, serão indiciados por homicídio doloso".

Advogados do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sintraturb) estiveram com o motorista Andre Luis Oliveira na tarde de hoje, no Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde Oliveira permanece internado, e disseram que ele não se recorda do acidente, nem da discussão com o passageiro ou da agressão. Segundo o advogado Eduardo Vicente da Silva, ele está em um "estado transitório de insanidade", e não reconhece a própria filha, de 2 anos, nem a esposa.

"Ele está aéreo, fora de si. Ele nem sabe que há vítimas. Nós procuramos omitir isso dele para não agravar o seu quadro de saúde", disse Silva. Segundo o advogado, além de ter sofrido uma fratura no fêmur, o motorista está com escoriações na boca, supostamente causadas pelo chute que recebeu do agressor momentos antes do acidente.

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