Delegado pede reconstituição de morte no metrô do Rio

O responsável pela investigação da morte da estudante Gabriela Prado Ribeiro Maia, de 14 anos, delegado Orlando Zaccone, vai solicitar à Justiça a reconstituição do crime, ocorrido em março do ano passado, durante um assalto à bilheteria do metrô na estação São Francisco Xavier, na Tijuca (zona norte). O pedido vai ser entregue ao Ministério Público Estadual na quinta-feira, dia em que a morte da estudante completa um ano. Até lá, ele vai ouvir novamente todos os envolvidos no caso.Segundo Zaccone, da 19ª DP (Tijuca), a reconstituição vai esclarecer quem disparou o tiro que atingiu a adolescente no peito. Além dos cinco bandidos que participaram do assalto, havia no local dois policiais armados, que estavam de folga. Laudo balístico divulgado na sexta-feira confirmou que a bala que matou Gabriela é da pistola calibre ponto 40 do policial civil Luiz Carlos Carvalho, que reagiu ao assalto. Laudos anteriores já haviam atestado que o projétil não havia sido disparado das armas dos assaltantes.Em depoimento, Carvalho admitiu ter efetuado disparos antes de ter sido rendido pelos assaltantes. Ainda assim, Zaccone diz que ainda é preciso repetir as ações ocorridas naquele dia para comprovar se o autor do tiro foi, realmente, o policial ou um dos bandidos que tenha se apoderado da pistola."Tanto a arma do policial do Rio, como a do agente de Brasília foram subtraídas pelos bandidos. Em algum momento o policial civil ficou sem a arma. É um tanto improvável que tenha sido nesse momento que o disparo tenha sido realizado. Até porque, o próprio policial afirma que trocou tiros com os assaltantes. O exame cadavérico mostra que o tiro veio de cima para baixo, o que nos leva a crer que os tiros vieram mesmo do policial (ele estava no alto da escada, enquanto os bandidos ficaram próximos à bilheteria do metrô). Mas, vamos analisar todas as possibilidades", afirmou ontem Zaccone.Os cincos criminosos que participaram do assalto - quatro deles já condenados e o quinto aguardando julgamento - devem participar da reconstituição do crime, assim como Carvalho. A liberação dos presos depende de autorização judicial.O pai da estudante, Carlos Santiago, disse ontem estar certo de que o tiro que matou Gabriela foi disparado por Carvalho, mas afirmou que a reconstituição vai esclarecer se o policial agiu ou não de forma imprudente. Santiago, porém, já tem um veredicto. "O policial foi muito imprudente. O caso mostra o despreparo dos policiais que estão nas ruas e que deveriam saber nos defender. Ele deu nove tiros e não conseguiu alvejar os bandidos, mas atingiu a minha filha. Já dois dos assaltantes dispararam dois tiros e ambos acertaram o policial", observou o pai da estudante. Para celebrar um ano de sua morte, vai ser realizada uma missa na Igreja de São Francisco Xavier, na Tijuca, às 18 horas de quinta-feira.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.