Delegado que prendeu Andinho é afastado por corrupção

Um novo escândalo de corrupção policial abalou as polícias civil e federal em São Paulo. O delegado Fábio Dalmas e o investigador João Saladini Júnior, do Departamento de Narcóticos (Denarc), e o agente da Polícia Federal Paulo Endo são acusados de fazerem parte de uma quadrilha que faz escolta de produtos contrabandeados. Dalmas é o delegado que prendeu o sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o "Andinho", em 25 de fevereiro.Os policiais, associados ao empresário Paulo Lopes, dono de uma importadora de São Paulo, também são acusados de exigir dinheiro do doleiro Luiz Francisco Caselli, em troca de proteção. Lopes tem sua empresa localizada na Rua França Pinto, zona sul de São Paulo.Caselli também acusa os policiais de tê-los ameaçado de morte por não fazer a "caixinha do mês" (propina) para eles. As denúncias foram exibidas pelo jornalista Roberto Cabrini, no programa Brasil Urgente da TV Bandeirantes. A história surgiu porque Caselli, se sentindo acuado, procurou a TV Bandeirantes e permitiu que suas conversas com os policiais fossem gravadas. Ele é ex-proprietário de uma casa de câmbio clandestina. Entre as mercadorias contrabandeadas, é mencionada uma carga localizada no Aeroporto de Viracopos, em Campinas. Numa das conversas gravadas, uma voz, atribuída ao agente Endo, propõe uma forma de distribuição de lucro num esquema ligado ao contrabando. "Agente pega já e (...) qualquer coisa em mercadoria."Cabrini recebeu um dossiê de um homem não identificado e, segundo o jornalista, o documento "é rico em nomes". AfastadosEm conseqüência das denúncias, o delegado geral de polícia, Marco Antonio Desgualdo, determinou o afastamento de Dalmas e Saladini dos seus cargos no Denarc. O corregedor geral da polícia civil, Roberto Maurício Genofre, determinou a instalação de inquérito para apurar as denúncias e abriu sindicância administrativa para avaliar possíveis irregularidades funcionais.O inquérito será presidido pelo delegado Osmar Ribeiro dos Santos, da 4ª Delegacia de Crimes Funcionais da corregedoria. A sindicância será presidida pelo delegado Altair de Souza Filho.Dalmas e Saladini exercerão funções burocráticas em outras unidades da polícia civil (os locais não foram divulgados), até o término das apurações.Em entrevista à TV Bandeirantes, o corregedor Genofre disse que ficou perplexo com as denúncias. "Os fatos me deixaram bastante constrangido, isso me entristece muito. São evidências, e muito fortes, só que elas têm que ser transformadas em provas." Para isso, solicitou que as fitas com as gravações lhe sejam enviadas, pedido que será atendido pela TV Bandeirantes.FederalO delegado Gilberto Tadeu, porta-voz da Polícia Federal disse que o agente Endo está sem nenhuma atividade atualmente, mas não foi afastado do cargo. Segundo ele, o afastamento depende de "algumas formalidades". Ele garantiu no entanto, que o caso "está merecendo toda a atenção da Polícia Federal". "Iremos punir todos os responsáveis, eu posso garantir que (a apuração) não vai acabar em pizza. Eu me senti muito mal."

Agencia Estado,

25 de abril de 2002 | 18h01

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