Delegado que recuperou telas do Masp é preso

Marcelo Teixeira Lima e outros cinco policiais do Deic são acusados de participar de achaque a um traficante ligado ao PCC, no litoral paulista

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2009 | 00h00

A Justiça decretou ontem a prisão temporária, por 30 dias, de mais três policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) acusados de sequestrar, achacar e roubar um traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em Peruíbe, no litoral paulista. Entre os detidos está o delegado Marcelo Teixeira Lima, um dos responsáveis por recuperar as telas de Picasso e Di Cavalcanti furtadas do Museu de Arte de São Paulo (Masp) em 2007. No dia 10, a Justiça já havia decretado as prisões de outros três investigadores do Deic, mas até ontem apenas um deles - José Antonio Leite Lopes - havia sido capturado.A Secretaria da Segurança Pública informou na ocasião que os outros dois - Sérgio José da Silva e Sílvio Alexander de Barros - não tinham sido localizados, pois estavam em férias. Ontem, segundo a pasta, foram presos o delegado Lima e o investigador Christian Tadeu Vicchietti. O terceiro acusado, o também investigador André Luiz Gomes de Souza, permanecia foragido até as 23 horas.O pedido de prisão do delegado já havia sido feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Santos, mas acabou indeferido. No recurso, o promotor Cássio Conserino alegou que Lima tinha conhecimento de que policiais sob seu comando haviam se dirigido até Peruíbe para apurar uma denúncia anônima de tráfico de drogas, o que não faz parte das atribuições da Delegacia de Repressão ao Furto de Fios. Mostrou ainda que, em 2000, o delegado teve seu nome envolvido em denúncias de tráfico de drogas, durante a CPI do Narcotráfico na Assembleia Legislativa - Lima sempre negou as acusações.A prisão de Lima ocorreu às 17h30 de ontem, na sede do Deic, na zona norte. Depois de ser informado do mandado de prisão, o delegado foi conduzido à corregedoria, sem algemas, no carro de um amigo, também delegado do Deic.SEQUESTROEm 30 de setembro, seis policiais do Deic estiveram em Peruíbe, onde teriam abordado Paulo César Ferreira Souza, o Pulina, apontado como o chefe do tráfico na cidade. Num depósito usado por ele, os investigadores teriam subtraído pelo menos 100 quilos de entorpecentes. Em vez de prender o criminoso procurado, os investigadores o teriam sequestrado e passado a exigir R$ 200 mil para libertá-lo. O traficante, porém, era monitorado pelo Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc). Toda a negociação entre ele e os policiais foi interceptada e repassada ao Gaeco. "Eles deveriam combater o crime e não achacar um traficante. Isso é inaceitável", disse o promotor.Pulina foi preso pela Polícia Militar na antevéspera do Natal. Em depoimento, ele confirmou a extorsão - disse ter dado R$ 50 mil a policiais do Deic. Dois meses depois de supostamente terem libertado o criminoso, os investigadores fizeram um inquérito em que só mencionavam apreensão da droga - quantidade inferior à encontrada, segundo o Gaeco -, sem relacioná-la ao traficante. FRASECássio ConserinoPromotor de Justiça"Os policiais deveriam combater o crime organizado e não achacar um traficante. Isso é inaceitável"

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