Delegados serão alvo de novo inquérito

Justiça abre ação e decreta a prisão de 20 réus da máfia das CNHs

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

12 de junho de 2008 | 00h00

O Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarulhos requisitou ontem abertura de inquérito para apurar possíveis crimes de corrupção e formação de quadrilha cometidos por integrantes da Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes "e outros". A requisição cita como "eventual envolvido" o delegado Carlos José Ramos da Silva. Conhecido como Cazé, ele chefiou a polícia na região de Mogi por 12 anos.Além disso, a Justiça aceitou a denúncia criminal do Gaeco contra 23 acusados de participar da máfia das carteiras de habilitação e decretou a prisão preventiva de 20, entre os quais cinco policiais na esteira da Operação Carta Branca. Todos se tornaram réus no processo sobre formação de quadrilha, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. "As investigações sobre a máfia vão continuar. Temos uma grande quantidade de documentos para examinar", disse o promotor Marcelo Oliveira.Para a abertura do novo inquérito, os promotores do Gaeco contam com escutas telefônicas que envolvem integrantes da corregedoria na extorsão de R$ 120 mil, pagos em duas parcelas pelos homens da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Ferraz de Vasconcelos. Os promotores têm ainda documento que relata pagamentos semanais de propina feitos pela Ciretran a escalões superiores. Entre eles está a contabilidade da propina, apreendida na casa do investigador Aparecido da Silva Santos, o Cido.Ali constam anotações que ligam o nome "seccional" a quantias de R$ 2 mil a R$ 3 mil. Havia ainda anotações que revelam o pagamento de R$ 1,5 mil por semana para "INQ/SEC". "Vamos apurar se essa anotação tem ligação com algum inquérito da Delegacia Seccional", afirmou o promotor José Barbuto.A desconfiança do Gaeco é de que o dinheiro era pago por causa de um inquérito instaurado pela seccional, por ordem do delegado Cazé, depois de uma correição em 2006 na Delegacia de Ferraz. O dinheiro serviria para que as investigações não dessem em nada.Na agenda há ainda nomes como Juarez, Ulisses e Johnson. Entre os presos na Operação Carta Branca estão o então delegado titular de Ferraz, Juarez Pereira Campos; o delegado Fernando José Gomes, ex-diretor da Ciretran de Ferraz; o investigador Cido; o investigador Johnson Benedito de Paulo e o escrivão Ulisses da Silva Leite. Há ainda uma anotação misteriosa com a sigla DEM, que recebia valores semelhantes aos da Seccional.Na primeira denúncia do caso, apresentada ontem pelo Gaeco à Justiça, os dois delegados, os dois investigadores e o escrivão são acusados. Além deles, há proprietários de 17 auto-escolas e centros de formação de motoristas, despachantes, médicos e psicólogos que participariam do esquema de venda de CNH para quem não tinha condições de obtê-la ou para pessoas de outros Estados. Entre as fraudes detectadas estão o uso de uma mesma impressão digital para preencher a ficha de vários candidatos, contornando assim as aulas práticas e os exames teórico e médico.

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