DEM ainda luta por Kassab

Embora só a convenção, em março, aponte que facção sairá vitoriosa na guerra intestina do DEM, a disputa amanhã pela liderança da Câmara aumentará necessariamente a temperatura interna. De um lado, o deputado ACM Neto (BA), de outro, Eduardo Sciarra (PR). O primeiro, candidato do presidente do partido, Rodrigo Maia(RJ); o segundo, do presidente de honra, Jorge Bornhausen (SC).

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2011 | 00h00

Espectador interessadíssimo na disputa, o PMDB torce pela vitória da ala Rodrigo Maia para consolidar a filiação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, dada como certa, mas ainda incerta.

Quem perguntar ao vice-presidente da República, Michel Temer, como andam as negociações com o prefeito ouvirá que a filiação está consumada. Mas Kassab tem acordo com Temer e Bornhausen para que a definição só ocorra após a convenção em março.

Uma vitória de Maia na convenção selaria a saída de Kassab. O contrário pode lhe devolver lugar no comando do DEM que perdeu a partir de uma grosseira falsificação de ata da Convenção Nacional que delegava ao Conselho Político os poderes para decidir sobre linha partidária, coligações nas eleições nacional e estaduais e de indicar os candidatos à Presidência da República, entre outros.

Integrante do Conselho, Kassab começou ali a traçar seu caminho em direção ao PMDB informado de que o autor da modificação da ata fora o presidente Rodrigo Maia. O partido ficou pequeno para os dois.

Jogo pesado

Os adversários de Rodrigo Maia guardaram o original da ata da convenção nacional e a versão alterada que transforma "decidir" por "recomendar" e "indicar" por "propor" no artigo que delega plenos poderes ao Conselho Nacional em relação às coligações e escolha de candidatos. Divulgar o fato prejudicaria a campanha de José Serra e também tornaria público o trunfo jurídico de Gilberto Kassab para deixar o partido sem risco de punição por infidelidade partidária. Sua divulgação agora tem o objetivo de derrotar ACM Neto amanhã e criar condições para a permanência do prefeito de São Paulo.

Efeito cascata

A eleição do líder da Câmara influi na escolha do futuro presidente do partido. O ex-senador Marco Maciel (PE), candidato de Bornhausen, não se disporia a disputar o cargo com o partido em chamas. O senador José Agripino (RN), candidato de Rodrigo Maia, ao contrário, já admitiu disputar. Com Maciel fora, há quem sugira a Bornhausen que pense seriamente na senadora Kátia Abreu (TO) como candidata. A senadora é próxima de Bornhausen e Kassab.Disputa acirrada

Fernando Collor (PTB-AL), atual ocupante do cargo, Eduardo Braga (PMDB-AM)e Lindberg Farias (PT-RJ) disputam a presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado. A briga é acirrada porque o PMDB quer o critério de maior bancada para a escolha e o PT, o de maior bloco, o que lhe daria supremacia no processo. Para o PMDB, a comissão é inegociável porque Braga, preterido para o Ministério dos Transportes, ocupado pelo seu adversário regional, Alfredo Nascimento (PR), quer usar o poder de fiscalização da comissão para infernizar o ministro. Além disso, é a comissão de infraestrutura que sabatina os diretores das agências reguladoras.

Chega de férias

Na homenagem ao ex-vice-presidente José Alencar, o ex-presidente Lula disse a um aliado que não aguenta mais as férias e quer voltar à lida.

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