DEM ameaça indicar outro vice na chapa de Serra

Presidente do partido anunciou que, se necessário, levará o confronto até a convenção nacional do DEM na quarta-feira

Luciana Nunes Leal, Eugênia Lopes, Marcelo de Moraes, Eduardo Kattah e Fátima Lessa, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), acirrou ainda mais o clima de confronto com os tucanos e deixou claro ontem, no Rio, que não pretende voltar atrás na exigência de que o partido indique o candidato a vice na chapa presidencial de José Serra (PSDB). E anunciou que, se necessário, levará o confronto até a convenção nacional do DEM na quarta-feira.

Segundo ele, o partido vai esperar até lá que Serra indique um nome do DEM. Caso contrário, a própria legenda fará a indicação. " Vamos esperar que ele indique. Se ele não indicar vamos aprovar nosso nome na convenção do dia 30", afirmou Maia. Questionado sobre como se resolveria o impasse, já que o PSDB se definiu pelo senador tucano Álvaro Dias (PR), Rodrigo Maia respondeu: "Pergunte ao advogado do PSDB. Na convenção, vamos aprovar apoio ao Serra com candidato a vice do DEM."

Rodrigo Maia não foi na noite de ontem à convenção nacional do PPS que formalizou o apoio à Serra. "Estou cheio de coisas para fazer, atrás de voto para mim", afirmou o deputado, que é candidato a reeleição.

Mesmo diante das ameaças, o comando nacional da campanha do PSDB permanecia irredutível na indicação do nome de Álvaro Dias como vice na chapa. Em Cuiabá, o próprio senador paranaense se incumbiu de afirmar que é vice de Serra apesar da resistência do DEM. "Já me sinto em campanha", disse. Dias argumentou que não postulou o cargo. "Fui convocado. Aceitei e, portanto, não tenho direito de abrir mão ou ser intransigente. Minha posição é a do PSDB e principalmente do José Serra. Já está determinado desta forma e desta forma deve caminhar. Não saio eu nem sai o DEM", disse. Segundo ele, a rejeição a seu nome não é unânime no partido aliado. "Acredito no entendimento."

Tempo na TV. Coordenador da campanha tucana e presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) passou parte do dia de ontem em negociações com o DEM. O apoio formal do partido significa mais três minutos de TV para Serra ao longo dos 45 dias do programa eleitoral gratuito.

"Não é a primeira vez que essas diferenças acontecem. Sugerimos o nome de Álvaro Dias. Ponto. O DEM tem a posição dele", afirmou Guerra, que deverá se reunir hoje ou amanhã com os partidos que integram a campanha de Serra.

"O DEM insiste que o vice tem de ser do partido. Vamos deixar o processo andar", disse o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA).

Um dos argumentos de Rodrigo Maia para cobrar o vice para o DEM foi o de que o presidente Lula "sacrificou" vários aliados nos Estados em prol da candidatura da petista Dilma Rousseff à Presidência. Citou os casos dos ex-prefeitos Fernando Pimentel (PT-MG) e Lindberg Farias (PT-RJ), que tiveram que abrir mão de suas candidaturas a governador para o PMDB. "Mas PSDB não quer sacrificar ninguém", observou Maia. .

Rodrigo Maia ficou particularmente irritado com o anúncio do nome de Dias para o cargo pelo Twitter do presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ). O vazamento da escolha por um aliado, sem o prévio conhecimento do DEM, foi considerado no partido uma trapalhada muito grande.

Ao participar da convenção do PPS de Minas que homologou a candidatura do ex-presidente Itamar Franco ao Senado, o ex-governador Aécio Neves disse confiar num entendimento com o DEM. "Não tenho dúvidas de que o Democratas tem, acima das preferências pessoais por nomes, um compromisso com o País, com as mudanças, com os avanços e é isso que vai prevalecer", afirmou. "Tenho muita confiança que a liderança do governador Serra prevalecerá."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.