DEM antecipa sucessão

Reunião da Executiva Nacional do DEM no próximo dia 8 abrirá caminho à mudança do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para o PMDB e, muito provavelmente, abreviará o mandato do presidente do partido, Rodrigo Maia, que está prorrogado até novembro de 2011.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2010 | 00h00

Apesar da oposição da atual direção do DEM, as duas operações se viabilizam por conta de irregularidades em atos da burocracia administrativa chancelados pelo presidente do partido, Rodrigo Maia, que dão a Kassab o trunfo jurídico necessário para deixar a legenda imune às penas da fidelidade partidária.

Já a prorrogação do mandato de Maia, segundo parlamentares contrários à sua permanência na presidência, foi obtida sem a anuência de lideranças expressivas do partido, que pretendem revogar a decisão na próxima reunião da Executiva. E, a partir daí, deflagrar a sucessão na busca de um perfil capaz de liderar o processo de reconstrução em meio aos escombros deixados pelo resultado eleitoral.

A inconveniência de que os detalhes desse bastidor venham à tona é que garantiu o acordo com Kassab pela sua saída pacífica. Pela mesma razão, será difícil a Rodrigo Maia sustentar-se na presidência com base numa prorrogação questionável que conspira para manter o clima beligerante no partido.

Nesse contexto, três nomes frequentam as conversas em torno da sucessão de Maia: José Agripino (RN), Kátia Abreu (TO) e Marco Maciel (PE), não reeleito, mas de perfil conciliador.

Sucessão aberta

Dos três presidenciáveis do DEM, os mais veteranos se inclinam pelo senador Marco Maciel, mesmo sem mandato em 2011, cujo perfil parece mais adequado ao atual clima de guerra reinante no partido. Outra corrente prefere José Agripino. Quem defende Kátia Abreu acha que ela abre perspectiva ao partido para a disputa presidencial em 2014, ainda que hoje essa possibilidade pareça remota.

Casamento perfeito

Principal interlocutor de Kassab e seu anfitrião no PMDB, o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), dá como fato consumado a transferência do prefeito paulista. O que lhe rende a ira da atual direção do DEM, desgastada internamente com o desfecho do caso. Há quem no partido admita em represália até mesmo apoiar o PT em eventuais - e prováveis - conflitos com o PMDB. Como não tomou a iniciativa da transferência do prefeito, Alves prefere comemorar o ganho político. "O casamento é perfeito", diz, já marcando sua data para janeiro de 2011.

Fogo amigo

Se consumada a indicação do senador Antonio Carlos Valadares (SE)para um ministério (fala-se no do Turismo) na cota do PSB para garantir assento no Senado ao seu suplente, José Eduardo Dutra, quem perde é o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Presidente do partido e peça fundamental na eleição de Dilma e na transição, Dutra seria o líder natural de governo na Casa. E uma oportunidade para o PT reaver o cargo, ocupado há seis anos por Jucá. A ideia tem defensores entusiasmados no PT.

Pedra no caminho

É uma incógnita ainda o destino do atual secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa. De reconhecida competência técnica, virou alvo dos políticos por ser forte concorrente a um ministério. "Não tem liderança para isso", diz um petista graduado.

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