Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

DEM recusa ideia de fusão com o PSDB

Para o presidente do partido, união iria reduzir espaço da oposição no governo Dilma

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2010 | 00h00

A ideia de fazer a fusão entre PSDB e DEM para criar um grande e fortalecido partido de oposição foi rechaçada ontem pelo presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). Para o dirigente, a proposta diminuiria o espaço político da oposição no Congresso e ainda abriria a possibilidade para uma onda de desfiliações.

Maia lembra que uma das brechas jurídicas permitidas hoje para que parlamentares troquem de partido sem perderem o mandato por conta da regra de fidelidade partidária é justamente a fusão com outra legenda.

"Num período pós-eleitoral, onde o governo federal conseguiu a reeleição, sempre pode ocorrer um oportunismo eleitoral com migrações para o lado que venceu. Uma fusão criaria um precedente legal para permitir uma debandada, por exemplo", afirma Maia.

Para o dirigente, entretanto, a questão não se resume a isso. Ele acredita que as eleições deixaram clara a existência de um eleitorado de centro-direita, que pode ser representado pelo DEM, mas que não encontra tanto conforto nas posições políticas assumidas pelo PSDB.

"A oposição tem que trabalhar unida na cobrança às propostas que serão apresentadas pelo governo. Mas isso não significa que precise haver uma fusão entre os partidos", avalia Maia. "O DEM tem uma posição de centro-direita e o PSDB se enxerga mais como sendo de centro-esquerda. Há um espaço político para essas duas visões", diz.

Oficialmente, a proposta de fusão ainda não chegou à mesa dos dirigentes de DEM e PSDB. Na verdade, o movimento nasceu dentro do PSDB, especialmente na seção paulista do partido, que acredita que a união criaria automaticamente uma bancada bem mais robusta, capaz de fazer um contraponto mais claro ao PT no Congresso.

Na Câmara, o PSDB elegeu 53 deputados e o DEM garantiu uma bancada com 43. Ambos encolheram em relação às eleições 2006. Na ocasião, os tucanos tinham 66 deputados e o DEM, ainda como PFL, somava 65. Se juntarem suas bancadas, pulariam para 96, transformando-se no partido com maior representação na Câmara, já que o PT elegeu 88 deputados e o PMDB, 79.

No Senado, a fusão garantiria a segunda maior bancada. Em 2011, o PSDB terá 10 senadores e o DEM ficará com 6. Esses 16 parlamentares ainda representam um número menor que o de senadores do PMDB, que soma 21. Mas superaria a bancada petista, que conta com 14 senadores.

Além disso, pelo menos três senadores peemedebistas são hoje mais alinhados com a oposição do que o governo, como é o caso de Jarbas Vasconcellos (PE), Pedro Simon (RS) e Luiz Henrique da Silveira (SC).

Bagagem. A absorção do DEM também agrada a setores mais à esquerda do PSDB. Esse grupo reclama que o partido aliado ainda carrega na sua bagagem o peso do conservadorismo político, representado pelo PFL, PDS e Arena, legendas das quais se originou.

Tucanos dizem que a imagem do partido aliado ficou desgastada depois do chamado escândalo do mensalão do DEM, no Distrito Federal. A descoberta de um esquema de cobrança e pagamento de propina para políticos e autoridades locais acabou provocando o desmoronamento da administração do então governador José Roberto Arruda.

Vídeos com conversas comprometedoras, que incluíram o próprio Arruda, provocaram grande impacto na opinião pública. Único governador do DEM, Arruda foi preso e acabou se desfiliando antes de renunciar ao cargo. Seu vice, Paulo Octávio, também do DEM, assumiu, mas sem sustentação política também deixou o posto.

Defensores da fusão acham que isso serviria, por exemplo, para zerar os efeitos negativos que esse escândalo ainda possa provocar em futuras eleições.

Aliados do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acham que a mudança poderia ser benéfica para ele. Apesar de filiado ao DEM, Kassab já tem hoje uma grande proximidade política com os tucanos, especialmente com José Serra.

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