DEM tenta repor baixas para mostrar força em 2012

A direção do DEM acredita que o partido se preparou para as perdas desde que surgiram as informações sobre a criação do PSD. Por isso, na opinião de seus dirigentes, o DEM vai resistir à crise e sair mais forte já a partir da eleição municipal do ano que vem. "Para nós, as baixas começaram a ocorrer em abril. Por isso, fizemos um plano de recuperação e já o pusemos em prática", disse o presidente do partido, senador Agripino Maia (RN).

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h05

Nesse período, o DEM fez intervenção em diretórios de seis Estados, tirou os aliados do PSD do prefeito Gilberto Kassab e pôs gente nova no lugar dos que foram banidos. Isso ocorreu em São Paulo, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Roraima e Santa Catarina. "Foi uma forma de recuperar o terreno que estávamos perdendo", afirmou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA). As contas feitas até agora indicam a saída de 19 congressistas para o PSD, entre senadores e deputados.

As maiores perdas ocorreram em Santa Catarina. Saíram o governador Raimundo Colombo e o grupo ligado ao ex-senador Jorge Bornhausen. "Falou-se que estávamos destruídos em Santa Catarina. Mas na última semana participei de uma cerimônia de filiação de 1.205 novos integrantes do DEM, oriundos do empresariado e profissionais liberais. Estamos não só recuperando nossas forças, mas ficando mais fortes", afirmou Agripino.

Viagens. Uma das táticas de Agripino para tentar evitar as perdas do DEM para o PSD é manter-se sempre presente nos diretórios regionais. Ele tem feito visitas a quatro Estados por mês. Em cada viagem, reúne-se com os dirigentes locais e pede esforço por novas filiações. Lembra sempre, segundo ele, que o DEM é identificado com o setor liberal da sociedade, contrário aos altos impostos e por um Estado enxuto. "Essa é a grande força do DEM", afirmou o senador.

Em setembro, por exemplo, Agripino esteve em Santa Catarina, São Paulo, Pará e Espírito Santo. Em todos, fez pregações para evitar que o partido encolha. Ou, se encolher, que logo recupere os lugares perdidos. "Hoje não temos nenhum deputado federal no Espírito Santo. Com o trabalho que estamos fazendo lá, na próxima eleição vamos eleger pelo menos dois deputados." O presidente do DEM admitiu que o partido teve pesadas perdas na Bahia, mas acha que dá para recuperá-las mantendo a estratégia de buscar novos membros entre jovens empresários e profissionais liberais.

"Em alguns Estados temos perdas, em outros, temos ganhos", afirmou Agripino. "Já em 2012 acredito que vamos eleger mais prefeitos e mais vereadores do que os que temos hoje." Ele informou ainda que o partido tentará recuperar na Justiça a vaga dos que migraram, sempre que a assessoria jurídica entender que é possível uma demanda judicial. "Não vamos permitir que trânsfugas venham a prejudicar o partido."

Já ACM Neto disse que, além de montar uma estratégia de filiação de novos quadros onde houve fuga para o PSD, o DEM partiu em busca de soluções onde era difícil as alianças com o PSDB, seu velho parceiro. Em Aracaju, por exemplo, onde uma rixa histórica impedia a aproximação dos dois partidos, DEM e PSDB fizeram as pazes. "Temos um candidato muito forte para disputar a Prefeitura de Aracaju, o ex-senador e ex-governador João Alves. E agora o PSDB marchará com a gente", afirmou ACM Neto.

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