Demissão dá fôlego à oposição para criar CPI

Parlamentares de 4 partidos lançam site para pressionar colegas a apoiar investigações nos Ministérios de Agricultura, Turismo e Transportes

Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2011 | 00h00

A oposição enxerga na queda de Wagner Rossi do Ministério da Agricultura uma motivação extra para defender a instalação de uma CPI para investigar a corrupção. Parlamentares de PSDB, DEM, PPS e PSOL buscam apoios na base aliada para tentar alcançar as 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado necessárias para a CPI e até lançaram ontem um site como forma de pressão.

"A saída reforça a necessidade da CPI. Este assunto da Agricultura não é isolado. Existe um volume de alta extensão de corrupção no governo", disse o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP). "Permanecer no governo nas condições em que estava seria difícil", avaliou a senadora Ana Amélia (PP-RS).

Os dois parlamentares estão entre os que apoiam a criação de uma CPI mista destinada a investigar desvios de recursos públicos, sobretudo nos Ministérios da Agricultura, Transportes e Turismo. Desde ontem, a lista é divulgada pela oposição no site cpidacorrupção.blogspot.com.

Na apresentação do site, o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), mostrou num painel armado no tapete verde da Câmara como são exibidos os nomes de deputados e senadores que assinaram ou deixaram de assinar o pedido de CPI. Às 23 horas de ontem, o site mostrava que faltavam 7 senadores e 56 deputados para se chegar ao mínimo de 27 nomes no Senado e 171 na Câmara.

O site traz e-mail e telefone dos parlamentares e a orientação para que os cidadãos "os convençam" a apoiar a CPI, além de uma lista de pessoas que apoiam a iniciativa. Segundo ACM Neto, já tinham sido colhidas cerca de mil assinaturas.

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), acredita que a iniciativa pode repetir o que ocorreu com o movimento em defesa da ficha limpa, cuja notoriedade, obtida em parte pelo trabalho feito na internet, obrigou políticos reticentes a apoiaram o projeto de lei de iniciativa popular.

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