Demolição da sede da Renascer começa amanhã e terá de ser manual

Risco de desabamento sobre casas vizinhas dificulta trabalho; cultos improvisados estão proibidos pelo MPE

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2009 | 00h00

A demolição da sede internacional da Igreja Renascer, atingida por um desabamento que deixou nove mortos e 106 feridos no domingo, deverá começar amanhã. A data foi acertada ontem à tarde durante audiência entre a Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público Estadual (MPE) e representantes da Igreja e da Subprefeitura da Sé. A previsão inicial era que os trabalhos começassem hoje, mas os planos foram alterados após avaliação de técnicos da empresa Diez Demolidora, contratada pela Renascer. Como há risco de as paredes desabarem sobre casas vizinhas, será preciso fazer uma demolição manual. A ideia é usar um guindaste para içar um operário até o topo da parede e derrubá-la "tijolo por tijolo". Por exigência da promotora Mabel Tucunduva, a demolição deve ser acompanhada por um engenheiro.Há ainda alguns entraves. O guindaste, por exemplo, está em Mauá, na Grande São Paulo, e é preciso uma autorização da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para que ele seja trazido. Além disso, a entrada dos operários deve ser liberada pela Polícia Civil, uma vez que os peritos do Instituto de Criminalística (IC) ainda não conseguiram recolher provas, como fragmentos da estrutura de sustentação de telhado do templo. Outra preocupação do é com a poeira das telhas de amianto. Embora proibido, o material tóxico foi utilizado na última reforma do telhado, no ano passado. "O que interessa agora é que os moradores voltem o mais rápido possível para as casas e que não haja prejuízo para o bairro", disse a promotora. Oito residências estão interditadas. Nem Mabel nem o advogado da Renascer, Roberto Ribeiro Júnior, souberam dizer quanto tempo deverá durar a demolição. A promotora de Habitação exigiu da Igreja o compromisso de que não realizará cultos em locais sem licença da Prefeitura. O objetivo é evitar o que ocorreu em 1999, quando a sede da Renascer foi interditada pela primeira vez. Na ocasião, foram montadas tendas, sem infraestrutura para receber os fiéis. Hoje à tarde, Mabel vai ouvir o diretor do Departamento de Controle de Uso de Imóveis (Contru), Vagner Pasotti, para saber como se deu o processo de revalidação do alvará da Renascer e esclarecer a informação de que os bombeiros não deram aval sobre a segurança do templo.Segundo levantamento da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, pelo menos 313 multas foram expedidas contra igrejas de janeiro 2005 até ontem. Em 18 das 31 subprefeituras, 41 igrejas foram fechadas pelos fiscais no mesmo período por falta de alvará.CRONOLOGIA Década de 50 - O endereço abriga o Cine Riviera, que depois virou uma concessionária 1994 - O imóvel é comprado pela Renascer, que o transforma em sede mundial. A Igreja é duas vezes multada pela Prefeitura por falta de segurança 1995 - A Renascer pede alvará de funcionamento 1997 - A Igreja é multada pela Prefeitura por não apresentar documentos 1998 - MPE apura falta de segurança e licença, além de excesso de fiéis. A Prefeitura multa a Igreja mais uma vez por falta de segurança Junho de 1999 - Bombeiros informam ao MPE que o imóvel não cumpre normas contra incêndio; o local é interditado. A reabertura é condicionada à apresentação de laudo atestando a segurança do telhado. Cultos eram realizados sob uma lona Dezembro de 1999 - Depois de obras para reforçar a estrutura do teto e para descupinização da madeira, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) informou que o local estava seguro - desde que vistorias periódicas fossem realizadas no templo. O local é reaberto 2000 - Depois de cinco anos, a Renascer consegue alvará 2005 - A Igreja pede a revalidação de alvará, três anos depois de o primeiro ter expirado 2006 - A Prefeitura emite mais duas multas contra a Igreja por problemas de segurança Julho de 2007 - O Contru faz vistoria e atesta que o prédio estava "em condições aceitáveis de segurança". Mas relata que há fios sujeitos a curto-circuito e extintores vencidos Novembro de 2007 - A Prefeitura não concede alvará, alegando falta de documentos Julho de 2008 - A Prefeitura aprova a revalidação do alvará, pelo período de um ano Setembro de 2008 - A Etersul é contratada para trocar o telhado da igreja Janeiro de 2009 - O teto desaba, matando 9 pessoas

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