Denarc apreende maconha destinada ao tráfico no Rio

Meia tonelada de maconha que deveria ser entregue em sua maior parte para os traficantes do Rio de Janeiro foi apreendida na noite desta quinta-feira pelos policiais do Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc). Uma chácara de Pindamonhangaba, na região do Vale do Paraíba, era usada como depósito da droga.A maconha apreendida estava prensada em forma de tijolos. O lote fazia parte de um carregamento de quase duas toneladas recebidas há menos dez dias e levado para os morros cariocas.Neste ano o Denarc já apreendeu mais de quatro toneladas de maconha. Os policiais depois de comprovarem que a chácara era usada para armazenar maconha pediram à Justiça um mandado de busca e apreensão e entraram na propriedade localizada na estrada Municipal Socorro, 330.O ajudante-geral João Freire da Costa, de 58 anos, responsável pela chácara e pela guarda da droga, estava dormindo em uma rede e não esboçou reação ao ver os policiais. Costa levou os investigadores até o quarto da casa principal onde estava a maconha.Na chácara, os investigadores apreenderam também uma verdadeira contabilidade dos traficantes. Nos livros havia o registro da quantidade de entorpecente mandado para as quadrilhas nos morros do Rio de Janeiro.Num trecho de um dos livros está registrado o envio de 33 pacotes com 48 kg de maconha cada um, o que representa o fornecimento de quase 1.600 kg em apenas uma remessa. Para o diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza, a localização da chácara é um ponto estratégico escolhido pelos traficantes porque fica a 280 quilômetros do Rio de Janeiro.Souza informou ainda que a quadrilha abastecia com maconha e cocaína alguns bairros da Grande São Paulo. ?Pelos livros dá para constatar que 70% do movimento era destinado aos traficantes do Rio?, declarou o diretor do Denarc.Costa, ao ser autuado por tráfico, disse ter passagens por uso de droga e alegou que não sabe o nome do dono da maconha. ?Conheço somente por Carioca. Ele aparece na chácara pelo menos uma vez a cada 15 dias.? Afirmou ter conhecido Carioca há sete meses durante uma festa de peão de boiadeiro, em Caraguatatuba, no Litoral Norte.Nascido no Rio Grande do Norte, viveu os últimos 30 anos no Rio de Janeiro, e a polícia acredita que ele está mentindo. O Denarc continua investigando para identificar o dono da maconha, outras pessoas envolvidas com a quadrilha e também o proprietário da chácara.

Agencia Estado,

06 de dezembro de 2002 | 21h29

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