Denarc identifica mais um do bando de "Pedrão"

Os policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), que investigam os seqüestros de Pedro Ciechanovicz, o Pedrão, identificaram nesta sexta-feira mais um ladrão do grupo, que dividia com ele e Altair Rocha da Silva a chefia da quadrilha. Ele já teria um novo grupo para continuar seqüestrando e seria o responsável pelas negociações com as famílias dos seqüestrados.Teria feito contato com a família de Natasha Ometto para o pagamento de US$ 150 mil. Natasha foi seqüestrada em 21 de abril do ano passado, na zona oeste da capital, e ficou 80 dias em cativeiro. A polícia acredita que, com a prisão deste ladrão, poderá fechar as investigações para o esclarecimento de 15 seqüestros e da morte de José Luiz Lanaro.O diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza, disse que a perícia técnica está montando croquis de cada seqüestro praticado por Pedrão - ações, cativeiros - para serem anexados aos inquéritos. Nesta sexta, o empresário Girsz Aronson, seqüestrado por Pedrão em 17 de setembro, foi levado por policiais de São Roque até a chácara. Reconheceu como sendo o cativeiro onde ficou 14 dias.O Denarc revelou o teor do depoimento de João Bertin. No quarto onde estava, as paredes eram revestidas com plástico. Havia um vaso sanitário e dois baldes com água para a descarga. Dias depois, o empresário foi levado para outra casa, no mesmo terreno."Fui a pé. A casa era de alvenaria e laje. Tinha banheiro com chuveiro e as janelas cobertas com tábuas. Para chamar os carcereiros batia duas vezes na porta. Nem sempre era atendido", afirmou aos policiais.A porta era aberta apenas o suficiente para passar o prato com a comida. Ele disse que não sabe o nome dos dois homens que ficavam no cativeiro. Chamava-os de "meu bem". Por insistência, levaram-no duas vezes para tomar sol, mas foi obrigado a ficar com capuz.Queixou-se de que roubaram seu Rolex no cativeiro e que lhe deram um relógio barato. Tomava banho todos os dias. "Tentei chamar uma mulher na casa vizinha, que vi por uma fresta da janela. Eles ouviram e apanhei." Um dos bandidos prometeu tratá-lo bem, mas em troca queria um carro de R$ 100 mil e os gansos de sua fazenda. "Eu disse que dava."

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2003 | 22h36

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