Dengue hemorrágica pode se espalhar, alerta Funasa

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão do Ministério da Saúde, alertou hoje para o grande risco de que a dengue hemorrágica, presente apenas no Rio de Janeiro e em Roraima, se espalhe para o resto do País. Segundo Fabiano Pimenta Júnior, coordenador de endemias da Funasa, turistas de outros Estados que visitam o Rio no carnaval e nas férias escolares poderão ser os agentes transportadores do vírus para outros Estados. "Infelizmente não dá para fechar as portas do resto do País contra o vírus", afirmou Pimenta Júnior, que está no Rio para organizar a força-tarefa contra a doença. "E a expectativa é de que o vírus comece a se espalhar para outras partes do Brasil."Até hoje, foram notificados pela Secretaria Estadual da Saúde 3.261 casos de dengue no Estado (41 hemorrágicas). A cidade do Rio, recordista em vítimas, teve 1.461 casos. A epidemia está sendo considerada uma das piores desde o primeiro grande surto, em 1991 - quando o tipo 2 do vírus entrou no País.A chegada do vírus 3 é considerada preocupante porque pode aumentar o número de vítimas do tipo mais perigoso da doença, a hemorrágica. Isso ocorre porque as pessoas que já tiveram um dos tipos no passado têm mais chances de sofrer hemorragias e desenvolver o tipo hemorrágico. "De forma geral, todos são suscetíveis ao tipo 3, mas quem já teve dengue dos outros tipos deve ficar mais atento", disse Pimenta Júnior.Nesta terça-feira, o coordenador de endemias da Funasa se reuniu com técnicos da Secretaria Municipal da Saúde para discutir o plano contra o mosquito Aedes aegypti - transmissor do vírus da dengue. Os mil agentes que serão enviados pelo Ministério da Saúde como reforço (eles chegam em três semanas) começam a trabalhar - junto com outros mil mata-mosquito do município - no próximo dia 4 de fevereiro.Eles farão rondas pelas áreas mais afetadas do Rio e da Baixada Fluminense. Na cidade, os bairros recordistas são quatro bairros da zona norte - Caju, Madureira, Tijuca e Ramos - e apenas um da zona sul (Santa Teresa). Mas a epidemia já começa a crescer em bairros da zona sul. O Barra D´Or, um hospital privado na Barra da Tijuca, está registrando uma média entre 80 e 100 por dia de pessoas com suspeita de dengue.Inicialmente, os agentes de saúde vão manter ações tradicionais de combate ao mosquito, misturando o fumacê e visitas aos domicílios para colocar pó com veneno contra o mosquito dentro das casas. Técnicos da Secretaria Municipal da Saúde estudam a possibilidade de que os agentes comecem a colocar não só o veneno contra as larvas e usem um spray para combater os mosquitos adultos.A Secretaria Estadual da Saúde reclama da falta de larvicida. Segundo a Coordenação do Programa de Combate à Dengue o Estado, só conta com 1.500 toneladas de veneno e espera mais 1.400 quilos para abastecer todos os municípios até o carnaval.A informação, no entanto, é contestada por Pimenta Júnior. Segundo ele, a Funasa vai enviar larvicida suficiente para suprir a necessidade do Estado, como foi combinado. "Não está em falta. O restante está chegando." Hoje, o presidente da CPI da Crise na Saúde, vereador Rodrigo Bethlem (PV), entregou ao Ministério Público a íntegra do depoimento do ex-secretário municipal de Saúde Sérgio Arouca. No depoimento, o ex-secretário diz ter alertado o prefeito César Maia da ameaça de uma epidemia de dengue no primeiro semestre do ano passado. Outros 20 depoimentos também serão entregues ao MP para que seja apurado se houve ou não falhas das autoridades no combate à dengue.

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