Dengue hemorrágica preocupa médicos de Santos

A chegada do verão e o esperado aumento no número de casos de dengue na Baixada Santista preocupam as autoridades sanitárias da região, pois podem trazer muitos casos de dengue grave, entre eles a hemorrágica.Pesquisa divulgada nesta quarta-feira, feita em parceria entre a Faculdade de Medicina da USP e o Hospital Ana Costa, de Santos, está procurado determinar se a resposta secundária é mais grave do que a primeira infecção.Quando o trabalho estiver concluído, em 2003, se poderá saber se o agravamento da doença pode ou não sofrer maior influência de outros fatores de risco do que a reinfecção. Calcula-se que 70% da população de Santos já tenha sido picada pelo inseto transmissor da dengue, o que aumenta a preocupação de uma nova infecção por vírus diferente.Três tipos já foram detectados na região e, como o diagnóstico clínico precoce pode salvar muitas vidas, um dado da pesquisa deixa as autoridades mais tranqüilas: 92% dos casos estudados foram diagnosticados corretamente pelos clínicos e a doença foi confirmada pelos exames.A pesquisa considerou 339 das 781 amostras de sangue coletadas em pessoas suspeitas de dengue, e o resultado de 313 foi positivo. Mesmo com as epidemias que se sucedem na região, 255 pessoas pesquisadas revelaram que, apesar de terem o vírus dos tipos 2 e 3 no sangue, nunca haviam contraído a dengue, 52 não sabiam se tiveram ou não a doença e apenas 32 confirmaram ter sido infectadas.Para Cláudio Pannutti, que realiza a pesquisa em conjunto com a médica Vanda Akai Ueda, ambos da USP, a dengue hemorrágica pode ser contraída sem que haja a reinfecção, pois há fatores de risco como idade, sistema imunológico baixo e mesmo a quantidade de vírus que recebeu em diversas picadas.As crianças e os velhos correm risco maior de contrair a dengue hemorrágica. Os testes para a detecção da dengue também estão sendo pesquisados, para determinar em qual situação cada um se comporta melhor, pois o objetivo é detectar o mais rápido possível os casos graves de dengue.Para Cláudio Pannutti, esse diagnóstico clínico correto é importante para evitar mortes, na medida em que o sangramento causado pela dengue hemorrágica aparece quando a doença já está muito evoluída.

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