Denise fez lobby por proposta de sindicato

Articulação irritou executivo, que disse que reunião não era do Snea

Leonêncio Nossa, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 00h00

Para tentar driblar as resoluções do Conselho Nacional de Aviação Civil, a diretora da Anac Denise Abreu chegou a articular com os participantes da reunião do dia 26 no Rio a aprovação de um documento redigido pelo próprio Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea). A ponto de um executivo presente protestar: "Este encontro não é uma reunião de sindicato."Denise, então, se viu obrigada a recuar e o encontro terminou sem consenso. A diretora encerrou a reunião com um apelo aos empresários: "Gente, não vamos comunicar nada, é melhor não contar nada lá fora." E concluiu: "Falar com a imprensa agora só vai gerar confusão."O encontro teve a presença de representantes da TAM, Gol, Ocean Air, BRA, Trip, WebJet e Variglog. O documento do Snea defendia a revisão do veto às conexões no Aeroporto de Congonhas. Para convencer as autoridades, os empresários sugeriram a adoção de um tempo mínimo de conexão no aeroporto - Minimum Connection Time (MCT), no jargão do setor - de 60 minutos. Alegaram que a obrigatoriedade de manter os aviões no solo por 1 hora, no mínimo, reduziria o número de pousos e decolagens em Congonhas. Antes do acidente com o Airbus, as conexões duravam, em média, de 30 a 45 minutos, tempo considerado apertado, mas altamente rentável para as companhias.Com o MCT maior, as empresas teriam de abrir mão de escalas de vôo muito apertadas. Isso traria outro efeito positivo: reduzir o risco de que atrasos em Congonhas se refletissem em outros destinos, num efeito dominó. A tese dos defensores da idéia era a de que a medida não representaria recuo para o governo e ao mesmo tempo atenderia aos interesses das empresas. "Um MCT de 60 minutos representaria uma diferença pequena, de 15 minutos. Esse era o pulo do gato", disse um participante da reunião.

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