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Denúncia de bomba no julgamento do coronel Ubiratan

Um telefonema anônimo na manhã de hoje para o Fórum Ministro Mário Guimarães, onde ocorre o julgamento do coronel Ubiratan Guimarães, fez com que policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, realizassem uma varredura no edifício. Segundo informações do cabo da PM Claudenir Pontes, um homem ligou para a administração do fórum por volta de 11h15. Falando pausadamente, disse que uma bomba explodiria no fórum caso o coronel fosse absolvido. O telefonema durou cerca de 40 segundos.A sessão do julgamento, que começou por volta de 9h30, não foisuspensa. Não houve necessidade de evacuação do prédio.O comando da Polícia Militar no fórum acionou o Gate, que a partirdas 7h30 fizeram varredura em todo o fórum, utilizando detectores de metais. As salas que ficam ao lado do plenário onde está sendorealizado o júri foram investigadas por grupos de três policiais. Aocontrário dos primeiros dois dias de julgamento, um grupo de policiais militares permaneceu hoje na porta do edifício.O capitão da PM Denis Pinheiro Tassi, chefe do policiamento do fórum, disse que "é comum" o fórum receber ameaças do tipo. "Mas tudo leva a crer que se trata de um trote."A segurança geral também foi reforçada. Nos primeiros dias dejulgamento, o Gate fazia uma varredura geral em todas as salas dofórum, jardim e banheiros. Esse número foi aumentado, hoje, para três varreduras completas, que passarão a ser feitas todos os dias.Na entrada do plenário 1, onde ocorrem as sessões do julgamento,havia dois policiais em plantão permanente, munidos de detectores de metais. Todas as pessoas que quisessem assistir ao júri, inclusivejornalistas, tinham de ser submetidas ao detector.O advogado Vicente Cascione, que defende o coronel Guimarães, fez uma petição à juíza Maria Cristina Cotrofe, que preside o julgamento, antes do início dos trabalhos. Neste documento, o advogado informa que recebeu ameaças de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) iria tumultuar o julgamento do coronel Ubiratan, e solicitou que fosse aumentada a segurança do local. "Essa suposta bomba foi uma tentativa de intimidar os jurados", disse o advogado. "Só pode ser coisa de quem não quer que o julgamento seja realizado", concordou o promotor Felipe Locke Cavalcanti, da acusação.Menos tempoA acusação do coronel Ubiratan decidiu hoje diminuir a quantidade de leituras pedidas em plenário, o que deve abreviar a duração do julgamento. Previstas para terminar apenas no domingo, as leituras, monótonas, estavam cansando os jurados. Elas deveriam terminar hoje ou, no máximo, amanhã pela manhã.Na noite de ontem, uma jurada teve uma queda de pressão arterial, o que fez com que a sessão fosse encerrada às 20h20, dez minutos antes do tempo previsto. Durante a tarde de ontem, outro dos jurados dormiu no plenário, fazendo a juíza suspender a sessão por 15 minutos.Dos 24 acórdãos pedidos no primeiro dia, serão lidos apenas seis.Setenta por cento dos 84 depoimentos pedidos já foram lidos, e apromotoria já considerou o número suficiente. Muitas das reportagens também foram cortadas. "Acho que os jurados já entenderam o que ocorreu naquele dia", disse o promotor Cavalcanti.Depois de terminada esta fase, mais um dia deve ser ocupado pelaleitura das peças solicitadas pela defesa do coronel, que é acusado deser o responsável por 111 mortes e cinco tentativas de homicídio -serão laudos, relatórios e depoimentos. Apenas depois devem começar os depoimentos das testemunhas de acusação e defesa e os debates. Segundo Cascione, a juíza ainda não respondeu a seu pedido para que os jurados possam sair do tribunal para uma visita à Casa de Detenção.A testemunha Aparecido Donizete Domingues, um ex-presidiário que sobreviveu ao massacre, foi localizada hoje por uma equipe do Centro de Apoio a Execuções (Caex). Ele disse ter tido problemas particulares, que o teriam impedido de comparecer, mas se mostrou disposto a depor assim que for chamado.

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