Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Denúncia de contaminação por urânio na BA preocupa região de mina no Ceará

Contaminação em Lagoa Real será tema de um seminário organizado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará

André Borges, O Estado de S. Paulo

14 Novembro 2015 | 20h32

BRASÍLIA - A denúncia de contaminação de água por urânio encontrada no município de Lagoa Real, no sudoeste da Bahia, será tema de um seminário organizado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará. 

A II Jornada Antinuclear do Ceará, realizada pelo Núcleo Tramas, um grupo interdisciplinar de pesquisa vinculado à Faculdade de Medicina da universidade cearense, ocorre nos dias 15 e 16 de novembro. Durante o encontro, será discutida denúncia publicada pelo Estado no dia 22 de agosto, a qual revelou que a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) omitiu informações sobre a contaminação de um poço na zona rural de Lagoa Real.

Órgãos da Bahia e do governo federal, como Ibama, Vigilância Sanitária e Ministério do Meio Ambiente, só vieram a saber sobre a contaminação após a denúncia. A INB, conforme apontam seus próprios laudos técnicos, já tinha conhecimento há sete meses sobre a contaminação, mas não informou os órgãos de controle. 

"Nós, do Núcleo Tramas/UFC e da Articulação Antinuclear do Ceará, estamos acompanhando atentos o desenrolar do caso de Lagoa Real. Esse é um tema que será abordado em nossa Jornada, inclusive, traremos uma pessoa da região para falar dos impactos, incertezas e modos de agir da INB, durante nosso seminário", disse Rafael Dias de Melo, biólogo e mestre em desenvolvimento e meio ambiente, pesquisador do Núcleo Tramas/UFC e Articulação Antinuclear do Ceará.

Segundo Melo, é preciso esclarecer tecnicamente as causas da contaminação na Bahia e fazer com que os Estados aprofundem seus estudos quanto à qualidade das águas submersas e do ar. O Ibama recebeu informações preliminares da INB sobre o caso de Lagoa Real, mas informou que não é possível ainda chegar à uma conclusão efetiva sobre as causas da contaminação. Independentemente de ser resultado de um processo natural ou exploratório, o órgão ambiental informou que a INB deveria ter comunicado imediatamente os órgãos de controle sobre a ocorrência, o que não fez. A INB nega irregularidades de procedimento no caso.

"Queremos fazer eco com a nossa Jornada para que a fiscalização dos poços profundos, bem como do nível de radônio ao qual a população está exposta, seja urgentemente intensificada", afirmou.

A atenção dos pesquisadores cearenses sobre o assunto não é causal. O Ceará possui a maior mina de urânio do Brasil. Localizada entre os municípios de Santa Quitéria, Itatira e Madalena, a chamada "mina de Itataia" contém uma grande reserva de urânio associada a fosfato, minério usado para produção de fertilizantes. 

A INB, que explora há 15 anos uma mina de urânio em Caetité, município vizinho de Lagoa Real, já deu entrada no processo de licenciamento da mina Itataia e aguarda sinal verde do Ibama para tocar o empreendimento. No ano passado, o projeto, que prevê uma sociedade com a empresa Grupo Galvani, foi aprovado pela União, com previsão de US$ 350 milhões.

O evento prevê a realização de seminários em comunidades próximas à jazida de  Itataia e uma audiência pública no município de Santa Quitéria. 

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