Denúncia de execução de bandidos atinge secretário de SP

As denúncias sobre supostas ilegalidades cometidas pelo Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância (Gradi) da Polícia Militar atingiram nesta terça-feira o secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu. Uma carta de um preso que atuou como informante do Gradi, divulgada pela seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sustenta que o confronto entre a polícia e bandidos numa rodovia em Sorocaba em 5 de março, no qual morreram 12 criminosos, foi uma execução sumária ocorrida com conhecimento e autorização do secretário.A carta foi divulgada pela OAB com o apoio da Associação Juízes para a Democracia, da Comissão de Direitos Humanos Teotônio Vilela e de juristas, entre os quais o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, Dalmo Dallari e Hélio Bicudo, vice-prefeito de São Paulo.Infiltrado no Primeiro Comando da Capital (PCC), o preso afirma na carta que foi procurado por policiais militares do Gradi para que participasse ?de uma fita?. Outros dois detentos também teriam sido procurados pela polícia. O objetivo seria o de realizar uma grande operação policial para melhorar a imagem do governo, desgastada com o avanço da criminalidade. O informante vai além na carta e garante que participou de uma reunião que contou com a presença do secretário. O preso garante ainda que gravou os diálogos da suposta reunião.O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, João José Sady, disse que várias das informações da carta já foram comprovadas. A PM afirmou que montou a operação com base em escuta telefônica que teria revelado um plano de assalto a um avião pagador. Segundo a OAB, não houve grampo e o avião foi uma invenção dos bandidos infiltrados pelo Gradi no PCC.Sady qualificou de ?extremamente preocupante? a acusação contra o secretário. ?Para limpar qualquer dúvida, ele (Saulo) deveria exigir apuração. O que nos preocupa é que ele monitorou pessoalmente a operação.? Bicudo disse que o Ministério Público Estadual (MPE) deve ouvir o secretário no curso das investigações. Segundo ele, a forma de atuação do Gradi ? que é acusado ainda de ter matado um dos informantes e torturado outros dois que tentaram fugir ? é igual à do esquadrão da morte das décadas de 60 e 70. ?A diferença é que o esquadrão era formado por policiais civis e o de hoje é por policiais militares e criminosos.? A assessoria da secretaria divulgou dizendo que ?o secretário da Segurança desmente as informações do criminoso, preso em flagrante e condenado a 22 anos de prisão por latrocínio (matar para roubar), estelionato e ocultação de cadáver.?O dossiê foi entregue com uma representação ao procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey. Segundo ele, vários promotores estão apurando as denúncias e haverá ?troca de informações? com as entidades. Marrey garantiu ainda que o MPE ?vai fazer o que tem que fazer?. Além de secretário, Saulo é promotor.

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