Denúncia de tráfico de influência na Casa Civil derruba assessor de Erenice

 

Leonencio Nossa, Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

O Palácio do Planalto demitiu ontem - a pedido - o servidor Vinícius de Oliveira Castro, de 30 anos, assessor da Secretaria Executiva da Casa Civil acusado de integrar suposto esquema de lobby no governo federal. O afastamento do assessor, um técnico de baixo escalão do palácio, foi a medida de maior impacto tomada pela Presidência para tentar estancar a crise envolvendo a chefe dele, a ministra Erenice Guerra.

Castro foi nomeado por Erenice para um cargo de confiança com remuneração de R$ 6,8 mil em junho do ano passado. Em nota divulgada pela assessoria de imprensa da Casa Civil no começo da tarde, o assessor afirmou que repudiava "todas as acusações".

A nota informava que Castro pedira demissão. É tradição do governo "cortar cabeça" de assessores e ministros envolvidos em escândalos e publicar que apenas atendeu a um pedido de exoneração do próprio suspeito. O Diário Oficial costuma publicar, nesse tipo de caso, que a exoneração foi a "pedido".

Antes de ser nomeado para a Casa Civil, Castro atuou ao lado de Israel Guerra, filho de Erenice, na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2007. Mas teria sido num escritório de lobby, Capital Assessoria e Consultoria, com sede em Sobradinho, na periferia de Brasília, que os dois mais ganharam dinheiro. Eles teriam recebido, segundo reportagem da revista Veja, uma propina de R$ 5 milhões para ajudar a direcionar uma licitação dos Correios.

Vinícius Castro é filho de Sônia Castro, sócia de Israel e de Saulo Guerra, outro filho de Erenice, no escritório de lobby. A denúncia foi feita pelo empresário Fábio Baracat, do setor de transporte de carga aérea, que teria contratado o escritório para garantir um negócio de R$ 84 milhões com os Correios.

Segundo uma segunda nota, divulgada no início da noite, Castro teria se afastado para melhor se defender das acusações publicadas pela revista. "Nunca pratiquei quaisquer das condutas caluniosas relatadas na matéria", destacou na carta. "Sempre pautei todas as minhas ações com ética e probidade."

No início da noite, Erenice Guerra divulgou outra nota para informar que processaria a revista Veja pela denúncia do suposto esquema de lobby. Procurada ao longo do dia, a ministra evitou dar declarações à imprensa. Ela recorreu aos assessores para divulgar uma série de notas curtas. Castro também não deu entrevista.

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